O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 11/05/2019

O cárcere não é belo

“Uma pessoa é bela, não pela beleza dela, mas beleza beleza nossa que reflete nela”. O conceito do pensador Rubem Alves configura-se, plenamente, na análise dos padrões de beleza presentes no Brasil e no mundo. O conceito do “belo”, agora ditado pela mídia e pela moda - impulsionado ainda pelo capitalismo -, é capaz de escravizar homens e mulheres na busca pelo ideal estético, e, assim, de propiciar incontáveis distúrbios físicos e mentais para o referido público.

É importante lembrar, a princípio, que a padronização da beleza não é de origem contemporânea, uma vez que essa sempre esteve presente na esfera social. Hodiernamente, entretanto, a mesma expressa-se mais constante, em virtude da ditadura da mídia e da moda, a qual prega a perfeição física por intermédio de propagandas e imagens. Essas exposições midiáticas ocasionam uma série de prejuízos na autoestima dos espectadores, que podem transformá-los em pessoas anoréxicas, bulímicas e depressivas. Uma pesquisa realizada pela Abeso (Associação Psiquiátrica de Transtorno Alimentar), por exemplo, indica que a anorexia e a bulimia, juntas, atingem 6% da população feminina.

Vale acrescentar também, que a atual obsessão antrópica pelo corpo idealizado, é uma consequência da imposição estética advinda das grandes empresas de moda e cosméticos. Essas, visam lucrar ao máximo a partir da fragilidade e influenciabilidade dos consumidores, que tornam-se cada vez mais dependentes e propensos à infelicidade. Rodrigo Alves, considerado o primeiro “Ken humano” do Brasil, é um claro exemplo dos perigos oriundos da referida obsessão. O mesmo afirmou ao jornal R7 que o motivo o qual fez e faz diversas cirurgias plásticas, é para ser aceito na sociedade em que vive. Além disso, um estudo feito pela empresa de cosméticos Dove, em 2016, afirma que 83% das mulheres sentem-se pressionadas a atingir a definição do belo, fatos estes que confirmam o supracitado entrave.

Dado o exposto, nota-se a urgente necessidade de desmistificar os conceitos sociais referentes ao belo. Para isso, o Ministério da cidadania, em consorte às grandes empresas de estética, devem promover campanhas na mídia que representem os mais diversificados tipos de físico. Ademais, é interessante que o Ministério da Saúde e o da Educação sensibilizem a comunidade sobre os danos decorrentes da ditadura da beleza, mediante palestras educativas nas instituições de ensino, com o fito de reduzir o percentual de casos de psicopatologias na população. Dessa forma, somente, será possível extinguir a idealização estética do meio social, e não mais relacionar a filosofia de Rubem Alves ao cenário brasileiro.