O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 13/05/2019
Narciso, personagem mitológico grego, morrera devido à sua obsessão corporal . De fato, esse mito não se encontra tão distante da realidade hodierna, uma vez que o culto a aparência fomenta diversos problemas na saúde, com a anorexia e bulimia. Frente a isso, a cultura e as redes sociais surgem como uns dos impulsionadores da problemática, que dita sequelas físicas e psíquicas a serem mitigadas.
É válido analisar, antes de tudo, que a gênese da cultuação à aparência possui rastilho histórico. Prova disso era que já na Grécia e, posteriormente, no Renascimento, os artistas preservavam a perfeição do corpo humano, como na obra “O Homem Vitruviano” de Da Vinci. Nesse viés, pode-se dizer que esse cenário segue a Ação Social Tradicional de Max Weber, em que a exacerbada valorização corporal foi solidificando-se ao longo dos anos e, assim, esse valor impregnou-se na cultura mundial de tal forma que reproduzem-na sem a consciência de que a faz.
Deve-se salientar, ainda, o papel das redes sociais na problemática. Sob esse aspecto, a vida na internet segue o princípio de Guy Deboard em “A sociedade do Espetáculo”, em que a sociedade moderna é pautada pela aparência e que as relações sociais são influenciadas pela imagem. Seguindo essa linha de raciocínio, a obsessão por mostrar, no instagram e facebook, um corpo ideal causa, nos internautas, a necessidade de se adequar aos padrões de beleza. Entretanto, para alcança-lo, não raro, recorrem a dietas perigosas que podem levar a transtornos psíquicos- como bulimia e anorexia, respectivamente.
Infere-se, portanto, que o culto à aparência possui caráter histórico e também é influenciado pelos meios de comunicação. Logo, é mister a intervenção do Ministério da Educação, que terá o papel de fragmentar os ideários de perfeição gregos e, para isso, deve oferecer, as escolas, palestras e debates que falem sobre a vida saudável e os malefícios que dietas radicais trazem ao organismo, no intuito de instruir os alunos e torná-los mais saudáveis e menos superficiais. Ademais, cabe à mídia influente- como o Fantástico, mostrar que as fotos em redes sociais são manipuladas e, para isso, pode realizar documentários sobre a autoaceitação e mostrar a realidade por trás dos holofotes. Desta forma, a sociedade brasileira se tornará menos superficial e a de Narciso passará a ser apenas uma história mitológica que tange a realidade.