O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/06/2019
Em novelas, programas televisivos e em redes sociais é retratado um certo padrão corporal: mulheres magras, sem celulites, sem defeitos. A mídia alimenta o mercado da boa forma, controla e manipula através de uma padronização corporal em que para você ser bonita você precisa ser magra. Nesse sentido, acompanhado com imagens de modelos, vem as fórmulas mágicas para obter o tão desejado corpo perfeito: remédios, dietas restritivas e incontáveis métodos que prometem o corpo dos sonhos. A partir disso, o público é influenciado de que o saudável é o bonito é o padrão, ficando preso a essa grande bolha sociocultural.
Em primeiro lugar é importante ressaltar que em função da exposição a esse padrão corporal inatingível, o público é cada vez mais exposto a uma gama ilimitada de dietas perigosas e “drogas” com a promessa de perda de peso rápida, mas que possuem na sua fórmula compostos prejudiciais ao bom funcionamento do metabolismo podendo até trazer problemas cardíacos. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se atualmente um padrão de liberdade ilusória, já que o mundo globalizado possibilitou novas formas de manipulação. Assim, é visto que pessoas são inconscientemente influenciados por essa ditadura da beleza.
Além disso, vem aumentando doenças como bulimia, anorexia e outros transtornos alimentares, que podem levar a morte se não forem tratadas. Percebe-se que essa culto a magreza tem deixado pessoas doentes, que acabam colocando a própria saúde em risco apenas para atingir um padrão imposto socialmente. Não é levado em conta pelo público, que modelos em revistas e na mídia fazem uso de Photoshop “apagando” imperfeições. Como declarou Beyoncé: “a perfeição é a doença da humanidade”, fazendo uma crítica social ao culto da padronização corporal.
Diante dessa realidade, é mister que o Estado tome uma providência para amenizar o quadro atual. Para conscientização, urge que o governo em parceria com a mídia, alerte fazendo campanhas sobre todos os tipos de formas corporais e também sobre a diversidade existente, que nenhum corpo é igual ao outro. Além disso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas nas escolas, alertando sobre os riscos de buscar essa perfeição que é imposta. Somente assim com a conscientização, será possível parar de buscar essa perfeição que é tão ilusória.