O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 19/06/2019
‘As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental", os versos de Vinicius de Moraes expressam um problema que perpassa a vida de muitas mulheres no Brasil: a imposição de padrões estéticos. Presentes desde a Antiguidade, estes padrões são impostos de maneira que induzem a necessidade de mudanças estéticas para a adequação a certas características. Além disso, na sociedade moderna, o avanço das mídias sociais contribuiu para a massificação do culto ao corpo, propiciando a procura por um padrão perfeito na sociedade.
Em primeiro plano, segundo a filosofa Simone de Beauvoir, ninguém nasce mulher, torna-se mulher. Esta proposição, que expressa a condição feminina frente à sociedade, é real ao analisarmos a situação das mulheres diante dos padrões estéticos. De acordo Edelman Intelligencie, 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir o corpo perfeito. Este fato decorre de anos de pressão exercida pela sociedade patriarcal, que associava determinadas características à figura feminina. Desta forma, durante muito anos, a exigência destes padrões esteve ligada a feminilidade imposta às mulheres, agindo, portanto, como elemento de distinção social.
Outrossim, um problema que se sucede na atualidade, é a influência das mídias sociais nestes padrões. Uma figura estereotipada da mulher é vendida e incorporada à sociedade através dos meios de comunicação, como novelas e filmes, que intensificam o culto ao corpo ideal. Para Pierre Bourdieu, filósofo, esses esteriótipos se transformam em padrões à medida que afetam, cada vez mais, a vida de muitas mulheres, que motivadas pela mídia, optam pela modificação corporal como caminho para a felicidade. Assim, o participação destes meios foi fundamental para a incisão desse pensamento de forma rápida e massiva na sociedade.
Infere-se, portanto, que a padronização corporal no Brasil tornou-se um problema que precisa de solução. Ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), cabe o papel de acentuar a regulamentação e aumentar a fiscalização de materiais publicitários, de modo que seja proibido a publicação de propagandas que incitem qualquer tipo de esteriótipo, oferecendo à população, somente, a diversidade corporal. Ademais, ao Ministério da Educação fica compreendida a responsabilidade de desenvolver palestras de conscientização dentro das escolas, com o auxílio de professores, sobre a importância da autoaceitação. A partir disso, será possível promover a desmitificação da existência de um corpo perfeito na sociedade.