O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 13/06/2019

Desde a Antiguidade Clássica, a busca pela beleza esteve presente na vida do ser humano. Os gregos acreditavam que o corpo era tão importante quanto a intelectualidade do indivíduo. De forma análoga a esse contexto, na contemporaneidade, observa-se o intenso culto ao corpo perfeito, no qual as pessoas se tornam submissas aos padrões estéticos impostos pela sociedade. Nesse sentindo, convém analisar as principais causas, consequências e possível medida relacionada a esse entrave social que se faz crescente no Brasil.

De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se atualmente um período de liberdade ilusória. Seguindo esse pensamento, nota-se que o forte poder de influência da mídia, limita a liberdade do indivíduo que não possuí autonomia de ter o corpo que quiser sem fugir dos esteriótipos propostos. Nessa perspectiva, é evidente que as propagandas dos meios midiáticos, a qual são expostos modelos de corpos magros e esculturais, mostra-se como fator preponderante para a alienação das pessoas, fazendo-as acreditar que só serão aceitas pela sociedade se aproximarem desses padrões.

Outrossim, é imprescindível ressaltar que a busca pelo arquétipo ideal, muitas vezes gera sérias implicações. Em seu livro “Ditadura da Beleza’’, o escritor Augusto Cury, tenta se opor aos padrões de beleza, que segundo ele, são responsáveis por oprimir e levar tanto mulheres quanto homens à diversas frustrações, quando esses não são alcançados. Em contraste a essa ideia, evidencia-se também que para se encaixarem ao esteriótipo imposto, muitas pessoas se submetem a cirurgias plásticas, dietas absurdas e aplicação de anabolizantes, corroborando assim, para o aparecimento de diversas complicações de saúde.

Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para coibir a problemática em questão. Cabe ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), regular propagandas que incitem a adoção de padrões, promovendo conteúdos sobre a relevância da heterogeneidade estética existente no país. Por fim, a população deve ser mais flexível consigo mesma, mediante a aceitação, libertando-se dessa ditadura da beleza. Só então, será possível superar essa desmedida procura pela perfeição corporal.