O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 29/06/2019

Na música “Eu não quero mais ser você” da cantora norte-americana Billie Eilish, fala sobre não gostar de si mesma e do seu corpo por estar presa a padrões estabelecidos. Fora do universo musical, é possível notar tais comparações na sociedade brasileira, que cultiva um padrão corporal. Desse modo, a influência da mídia exerce grande poder sobre os indivíduos, causando graves problemas de saúde decorrentes da busca por um corpo perfeito.

Mormente, é notório que a mídia é responsável por mostrar para a maioria aquilo que está sendo visto como padrão no momento. Por meio de comerciais, desfiles, novelas e propagandas de responsabilidade dos meios de comunicação,que precisam de pessoas para representar os consumidores. Dessa maneira, optam pelo estereótipo mais aceito, como mulheres magras e homens malhados. Segundo Émile Durkheim, filósofo francês, o homem é fruto da sociedade em que vive. Portanto, ao serem mostradas esses modelos de pessoas como o único a ser seguido, dezenas de outras passam a buscar incansavelmente por esse padrão e podem se frustrar ao não conseguir, como na música de Billie.

Outrossim, decorrente do culto à padronização corporal, as pessoas estão cada vez mais sujeitas a serem diagnosticadas com distúrbios alimentares. A busca pelo corpo perfeito tem trazido à tona doenças como anorexia, caracterizada por uma visão distorcida do corpo, o indivíduo se alimenta pouco ou, em casos mais graves, deixa de comer. Ademais, a internet tem contribuído para o aumento desses casos,devido a troca de informações que ocorre em grupos próprios para junção de pessoas que sofrem dessas doenças ,sendo até apelidadas carinhosamente pelos portadores como “Ana”  a anorexia  e " Mia" a bulimia.

Urge, portanto, medidas para resolver tal problemática. É necessário que as agências de publicidade, responsáveis pelo marketing das empresas e mídias, utilizem da diversidade corporal e fenotípica nas suas campanhas, contratando pessoas que não são vistas como padrão, a fim de dar mais representatividade a todos os tipos de brasileiros. Além disso, o Ministério da Educação deve fazer reuniões de orientação nas escolas para pais e filhos, sobre distúrbios alimentares, com o auxílio de médicos e psicólogos tendo o intuito de ajudar essas pessoas a identificarem os sintomas iniciais das doenças e assim poder tratá-las.