O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/07/2019

O culto à padronização corporal no Brasil

No videoclipe da música “Pretty Hurts” da artista Beyonce, há a retratação das consequências da padronização corporal. Desta forma, no cenário é apresentado um concurso de beleza em que as participantes se utilizam de artifícios para se aproximarem do corpo ideal, como a cirurgia plástica, o uso excessivo de maquiagem, entre outros. Fora das telas, o culto ao padrão corporal é presente no Brasil, em que a mídia desempenha um papel determinante na difusão deste padrão, causando inúmeros problemas em decorrência da valorização da beleza em sobreposição da saúde.

Segundo a Escola de Frankfurt, na sociedade capitalista a cultura é atribuída de valor monetário de maneira a existir uma “indústria cultural”, em que a classe dominante dissemina um padrão, moldando a sociedade. De maneira análoga, é evidente que a mídia é responsável por padronizar o estilo corporal e estético, além de estimular o culto a este padrão que passa a ser valorizado e divulgado, enquanto os diferentes destes são menosprezados. Um exemplo disso são os comerciais que, em sua maioria, é protagonizado por mulheres brancas e magras. Por conseguinte, a sociedade busca cada vez mais se adequar ao padrão.

Outrossim, conforme a filósofa Hannah Arendt em sua teoria da banalidade do mal, a frequência com que uma ação considerada incorreta é realizada pode influenciar em sua aceitação pela sociedade. De maneira semelhante, atos danosos à saúde humana realizados em busca da beleza ideal têm sido considerados normais em razão de sua grande ocorrência. Consequentemente, a padronização corporal é capaz de causar prejuízos como a anemia, a osteoporose, a bulimia e outros problemas relacionados à má nutrição.

Enfim medidas fazem-se necessárias para a resolução desta problemática. Para tanto, é imprescindível que a mídia abra espaço para a diversidade, buscando retratar além do padrão, de forma a exibir a beleza presente em cada tipo corporal sem menosprezar a realidade. Junto a isso, a partir do papel fundamental do Estado em garantir o bem-estar e saúde da população, deve-se propor a conscientização sobre a importância da saúde e os danos relacionados a padronização corporal através dos meios de comunicação. Dessa forma, o padrão de beleza será desmitificado e a diversidade será valorizada.