O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 12/07/2019
À luz do Renascimento em meados do século XVI, a retomada dos valores da Antiguidade Clássica resgatou as antigas aspirações acerca dos padrões estéticos greco-romanos. Com um ambiente cada vez mais humanista, houve um crescente incentivo ao estudo cada vez mais minucioso do corpo humano e de sua metrificação, levando à criação de um molde para a reprodução na arte e nas esculturas ao longo dos séculos. Atualmente, a presença da herança renascentista no Brasil influencia a sociedade a adotar, cada vez mais, um padrão de corpo inalcançável e danoso, fato que posiciona o país como o segundo maior em números de procedimentos estéticos.
É indubitável que a propaganda sobre a satisfação física tem colaborado à manutenção desse processo. Emile Durkheim, sociólogo frânces, define que o fato social está intrinsecamente ligado ao poder de coercitividade sobre os indivíduos de uma sociedade, exercendo uma pressão social sobre seus comportamentos e ações. Desse modo, o fenômeno de Durkheim aplica-se na assimilação em que as publicidades vendem acerca da obrigatoriedade de ter beleza para ser feliz. Assim, o desencadeamento de doenças psicológicas, como a bulimia e a depressão, podem ser desenvolvidos por pessoas expostas a essa realidade.
Em razão disso, a insatisfação corporal causada por esses esteriótipos vem causando a realização de processos cirúrgicos. Dados da Isaps (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética) informam que o Brasil ocupa a 2° posição em realização de cirurgias plásticas no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Nesse sentido, o levantamento desses dados expõem uma sociedade cada vez mais marcada pela não aceitação de sua personalidade, fato que incide em uma perda de individualidade para a padronização corporal. Assim, a consolidação dessa realidade pode acarretar em uma série de problemas de saúde e à compulsividade, assim como aconteceu com o cantor americano Michael Jackson, que realizou mais de 10 procedimentos cirúrgicos.
Torna-se claro, portanto, que o culto à padronização corporal tem representado ameaças ao organismo humano. Para amenização dessa realidade, urge que o Ministério da Saúde (MS) - que detém o controle sobre a esfera fisiológica dos brasileiros - crie campanhas de automobilização e reconstituição dos indivíduos, através da implantação de psicólogos em hospitais e da adoção de propagandas em horário nobre contra a assimilação estética. Dessa maneira, a cristalização de uma sociedade mais consciente e engajada possa ser mais visível no combate aos esteriótipos de aparência no mundo moderno.