O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 09/07/2019
Durante a Era Vitoriana, o padrão de beleza era decerto questionável: o aspecto fraco, lânguido e pálido era um dos prediletos. O principal motivo da tendência residiu na ascensão da tuberculose na Europa, cujos sintomas eram descaradamente romantizados apesar da doença ter levado milhares à sepultura. A aparência sempre foi uma grande preocupação na história da humanidade, o que nunca a impediu de ser um imenso ônus e óbice ao desenvolvimento. Outrossim, no Brasil, o conflito das aparências é edificado na influência da indústria cultural ao passo que evidencia as desordens de natureza psicológica da modernidade.
Não obstante a globalização tenha facilitado diversos processos no espectro contemporâneo, a disseminação dos ideais da indústria ‘‘fashion’’ (tendências e trends) ocasionou o recrudescimento dos efeitos da alienação no Brasil e no mundo. O TDC (Transtorno Dismórfico Corporal), por exemplo, é uma das graves consequências decorrentes da padronização incentivada pela sociedade, tecnologia e, sobretudo, indústria cultural. O distúrbio consiste no desejo de realizar cirurgias de modo a assemelhar a aparência com os famigerados filtros de aplicativos como o Snapchat.
Infelizmente, a persistência de antigas doenças de ordem psíquica e o surgimento de outras mais é uma realidade recorrente. Nas palavras do escritor brasileiro Machado de Assis ‘‘A vaidade é o princípio da corrupção’’, fica elucidada a relação entre a preocupação exacerbada com a aparência e a questão da desordem moral e, logo, física e psicológica.
Dessa maneira, o culto às aparências e a qualquer modelo de padronização corporal, embora não seja um aspecto recente das sociedades humanas, precisa ser quão logo erradicado. Portanto, é de responsabilidade do Governo Federal, com auxílio do MEC (Ministério da Educação), prover de assistência psicológica as escolas brasileiras, de modo a tratar e conscientizar as gerações atuais e as que ainda estão em processo de ascensão a respeito dos perigos da idealização corporal e assim mitigar os reverses psicológicos provocados pelas impressões sociais e pela influência do mercado.