O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 17/07/2019
No período da Antiguidade Clássica, os gregos passaram a ter uma percepção mais clara do belo estético, com destaque para a perfeição formal somado a sua exposição e admiração. De forma análoga, a sociedade brasileira contemporânea mostra-se sob as amarras culturais de culto ao corpo, o que gera transtornos alimentares e problemas sociais que necessitam ser resolvidos com urgência. Nesse contexto, destaca-se a influência dos meios midiáticos para o surgimento dessa problemática. As propagandas de produtos de beleza e os filmes de Hollywood costumam projetar imagens e estilos de vida associados à felicidade alcançada devido à beleza estética. Dessa forma, é compreensível o que é visto em pesquisas da empresa Dove de 2016, nas quais é indicado que 83% das mulheres se sentem pressionadas para que alcancem um corpo perfeito. É nesse cenário – de busca pela perfeição estética - que as pessoas utilizam “métodos” nocivos para saúde e desenvolvem distúrbios alimentares - tais como bulimia e anorexia -. Dessa forma, surge uma relação paradoxal, uma vez que a busca por um corpo teoricamente saudável tem como consequência o desenvolvimento de problemas de saúde.
Ademais, pontua-se que os padrões de corpo ideal podem gerar o “bullying”. O filme de 2009, “Preciosa”, retrata a difícil vida de uma jovem que sofre com o preconceito por causa de sua obesidade e é reprimida por aqueles em sua volta por seu causa de sua condição. Tal fato comprova a máxima de Pierre Bourdieu que diz que a linguagem corporal marca a distinção social, colocando o consumo alimentar, cultural e a forma de apresentação como as mais importantes formas de distinção. Assim, é visto como resultado a obsessão pela busca da beleza corpórea como forma de se encaixar em um padrão social do que é considerado bonito.
Portanto, é perceptível a criação de uma sociedade baseada em uma cultura hedonista, na qual o corpo perfeito é a única forma de se alcançar o prazer, mesmo que afete a saúde ou as relações sociais. Isto posto, é necessário que grupos midiáticos criem propagandas que retratem e explorem, utilizando diversos personagens sem que se tenha em vista o padrão estético, a alteridade e singularidade do corpo de cada indivíduo para que se crie uma aceitação pessoal única. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde a criação de campanhas de apoio e combate aos transtornos mentais e alimentares, oferecendo assistência e acompanhamento gratuitos de profissionais especializados - nutricionistas, psicólogos entre outros - que aconselhem métodos seguros para que se tenha uma boa saúde e se tratem as perturbações alimentares. Deste modo, se criará a cultivação da ideia de “beleza única” e se destruirá a extrema busca pelo padrão corporal, além da destituição dessa cultura hedonista que remete às origens gregas.