O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 15/07/2019
Na mitologia Grega, há uma fábula sobre Narciso, um jovem que definhou até a morte de tanto contemplar sua bela autoimagem. Conto ou não, essa fábula revela o atual dilema de muitos brasileiros: o culto ao corpo perfeito. Diante disso, surge a problemática da estética sobrepujando a saúde e aonde o apelo da mídia, aliado a desinformação populacional figura como agentes mobilizadores. Primeiramente, é preciso analisar que a personificação ao corpo perfeito é fruto de uma mídia desenfreada. Tal fenômeno pode ser visto durante uma campanha da grife americana “Victoria’s Secrets” e seu slogan “The perfect body” (o corpo perfeito), anos atrás, cuja apresentação trazia modelos magras como portadoras do corpo ideal. Desse modo, percebe-se o papel imponente da mídia em promover uma ditadura e mercantilização do corpo humano, estereotipando padrões corporais e de beleza que são cultuados pela sociedade, a qual utiliza dos mais variados métodos – cirurgias clandestinas, cosméticos e métodos inovadores- para concepção, muitos dos quais ocorrem sem segurança e com elevados risco à vida.
Outrossim, a falta de informação dos malefícios da ditadura da beleza, alimenta substancialmente a problemática. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia um em cada 16 jovens fez uso de esteroides anabolizantes e de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica o Brasil é recordista mundial no turismo das plásticas. Dados impactantes e que revelam o quão séria é a problemática atual. Evidentemente, o governo e a escola falham em munir a população de informações seguras dessa busca implacável pelo corpo perfeito, cujo cenário prospectivo são danos à saúde e fatalidades. Uma vez Shakespeare questionou a verdade sobre a beleza, hoje ele estaria atônito.
Logo, ações para desconstruir a ditadura do corpo belo devem ser iniciadas. De imediato é necessário uma autorregulamentação por parte do governo (municipal, estadual e federal) e das famílias sobre mensagens publicitarias dos canais de comunicação que reforcem a “massificação estética” e vetar aquelas com conteúdo influenciador e temático. No mesmo ângulo, cabe as escolas desenvolver palestras, fóruns e atividades que procurem desrobotizar a mentalidade sobre corpo ideal e trabalhar questões de autoaceitação e individualidade. Finalmente, campanhas nacionais sobre os malefícios do uso de anabolizantes e o risco de cirurgias plásticas clandestinas devem ser realizadas a fim de promover reflexão e cuidado.