O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 16/07/2019

A série norte-americana “Black Mirror”, apresenta o episódio “Empenhar” que dispõe uma realidade distópica em que os indivíduos são constantemente avaliados por suas condutas públicas. Ao sair do âmbito ficcional, o episódio assemelha-se a realidade na medida em que as mídias impõe uma padronização corporal para a aceitação social. O poder público nada faz e deixa a problemática permanecer.

Primeiramente, é indubitável que o poder midiático impõe um comportamento que interfere na singularidade corporal. Por isso, campanhas de moda, na maioria das vezes, expõe um corpo extremamente magro como manequim único e padrão. Aliado a isso, a pesquisa do site G1 indica que a satisfação corpórea está ligada com  a influencia das mídias e salienta o poder da representação da sociedade. Entretanto, a representação é falha na medida em que não exibe todos os corpos e biotipos em campanhas.

Nesse contexto, o poder público segue inerte com a problemática quando ignora as consequências que a padronização corporal causa. Consoante a isso, transtornos alimentares são os principais resultados que prejudicam o organismo em detrimento da busca pelo corpo perfeito. Atrelado a isso, o pensamento aristotélico de para tornar-se ético o homem deve ser responsável pelas próprias ações e dos demais é unilateral quando o poder público é incapaz de efetivar medidas que contornem a situação.

Portanto, medidas governamentais devem ser efetivadas. A campanha “Mostrem pessoas como nós” deveria funcionar de modo representativo, em que o poder público juntamente com o Ministério da Comunicação poderiam realizar pequenos comerciais que evidenciem a singularidade dos biotipos naturais e assim sanar  a busca pela padronização. Ademais, é necessário que o poder público crie uma lei que impossibilita campanhas de moda abusivas e deturpadas, para assegurar a população que todos os corpos serão representados e respeitados.