O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/08/2019

A Biologia define o vírus como ’’ um parasita intracelular que só consegue dispor de manifestações vitais no interior de uma célula hospedeira.’’ Em vista disso, percebe-se que o culto a padronização corporal no Brasil tem se comportado como um autêntico vírus, que contamina e prejudica a vida de milhares de brasileiros. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem essa problemática.

Segundo o Sociólogo Émile Durkheim ’’ Perseguir um objetivo que por definição é inatingível é condenar-se a um estado de infelicidade perpétua.’’   Nesse contexto, a busca desenfreada por padrões de beleza estabelecidos pela mídia, no mundo da moda ou na publicidade, faz com que os jovens e adolescentes se esforcem ao extremo para alcançar formas e contornos que na maioria vezes são inalcançáveis. Além disso, a obsessão pela magreza influenciada pela mídia  pode desencadear a bulimia e a anorexia, doenças classificadas no grupo de transtornos alimentares pela Organização Mundial da Saúde  -OMS - . Dessa forma, faz-se urgente a formulação de uma ação para combater essa conduta.

Outrossim, consoante  o filósofo Frederick Angel ‘‘O ser humano é influenciado pelo tempo e horizonte em que vive.’’ Nesse âmbito, nota-se que a padronização corporal tem influenciado a sociedade de forma negativa. Associado a isso, o Brasil é palco de constantes cobranças para o alcance dos padrões estabelecidos, como foi observado pelo estudo realizada pela marca de cosméticos Dove, que apontou o país como acima da média global na porcentagem de mulheres que se sentem pressionadas a atingir o corpo ideal. Nesse sentido, as exigências aos estereótipos de beleza estão associadas a uma identidade nacional de forte culto à padronização estética.

Portanto, medidas são cruciais para combater esse caso. Dessa maneira, cabe às escolas, em consonância com ONG´s da área, orientar a população acerca da relevância da aceitação pessoal. A ideia é, a partir de palestras e debates nas salas de aula, além de campanhas na internet e nas ruas, desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de belezas. Paralelamente, a mídia, enquanto formadora de novos comportamentos e opiniões, deve desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade estética existente no país. Essa medida deve contar com propagandas educativas nos veículos de comunicação e telenovelas que abordem o tema a fim de superar os ideais de beleza e garantir a harmonia da sociedade brasileira. Uma mudança é necessária, posteriormente é preciso um inicio para combater esse vírus.