O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 17/07/2019
No episódio Nosedive, da série britânica Black Mirror, é mostrado um futuro distópico no qual os cidadãos desse país são avaliados conforme suas ações, podendo os impossibilitar de realizar diversas atividades se essa for baixa. De maneira análoga, a sociedade hodierna se comporta de tal forma, exigindo o cumprimento de normas sociais quanto a aparência, que podem causar problemas físicos e psicólogos.
Diante da conjuntura exposta, torna-se evidente a problemática da padronização corporal. Ela pode ser explicada com base no Fato Social, do sociólogo Emilè Durkheim, que indica a existência do pensar coletivo. Dessa forma, o indivíduo é forçado a se encaixar no padrão preestabelecido socialmente. Ao analisar a célebre frase de Schopenhauer, na qual dizia que o ser humano adotava como referencial apenas o que estava em seu campo de visão, fica perceptível a existência do preconceito com aqueles não adequados ao conceito de perfeição estética. Essa ideia foi apresentada no livro “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, na qual a personagem principal, Macabéa, não se encaixava nos padrões sociais e, por isso, foi ignorada pela sociedade. Portanto, é indubitável que a padronização social é responsável pela existência de preconceitos diversos.
Ademais, fica claro que a normatização do conceito de beleza é responsável por mazelas sociais, expressas em danos físicos e psicológicos aos marginalizados. Com base na frase “o homem é um ser social” de Aristóteles, na obra “A República”, nota-se a influência de tais padrões, levando os não adequados à procedimentos invasivos e, muitas vezes, mortais. Foi exposto no Fantástico o caso do Dr. Denis Bumbum, que realizava tais cirurgias em péssimas condições e ocasionou a morte de uma paciente. Outrossim, os danos irreversíveis podem ocorrer também no âmbito psicológico. Diversos modelos e influenciadores digitais brasileiros desenvolveram casos de depressão e anorexia por conta dessa padronização. Desse modo, é incontrovertível que o conceito alienável de beleza é prejudicial à saúde do povo tupiniquim.
Dessarte, devido ao supracitado, torna-se evidente a necessidade de mudanças para a diminuição dos efeitos dos padrões estéticos de beleza na sociedade brasileira. Cabe ao Ministério da Comunicação, por meio de parcerias com órgãos midiáticos que realizem campanhas de veiculação nacional na internet e televisão, promover maior diversidade nos artistas e modelos, com a inclusão de modelos plus-size, negros, deficientes, entre outros, com intuito de diminuir a normatização exposta para a sociedade, elevando sua autoestima e incluindo todos no padrão estético. Assim, então, será possível transformar o Brasil em um país mais justo e aceito para todos.