O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 19/07/2019
Durante a Antiguidade, privilegiava-se a visão do corpo feminino como símbolo de fertilidade e o masculino como expressão de resistência, a fim de estarem preparados para guerras e disputas. Análogo a essa realidade, o foco da contemporaneidade está na imagem produzida pelos indivíduos em busca dos padrões contemporâneos de beleza, os quais são influenciados pelo mídia, e geram efeitos negativos no que tange a saúde mental dos brasileiros. Assim, faz-se necessário a superação desses obstáculos para a manutenção do bem estar social.
Nesse contexto, é necessário analisar que o sistema midiático tem poder sobre a definição de padrões de corpo e aparência para benefício próprio. Segundo a teoria do “fato social” do sociólogo Èmille Durkheim, ações determinadas culturalmente influenciam o comportamento dos indivíduos em sociedade. Ligado a isso, grandes indústrias da moda criam propagandas com a finalidade de venderem um modelo de perfeição, para obterem maior lucro na venda de roupas e cosméticos, o que acaba por gerar uma sociedade que cultua o que é transmitido midiaticamente. Assim, a construção de exemplos de beleza favorecem a lucratividade de sistemas de produção e ignoram o papel da individualidade.
Além disso, o culto a padronização corporal provoca resultados prejudiciais à saúde mental das pessoas. A partir do pensamento do filósofo J.J. Rosseau, o homem nasce livre mas por toda a parte vive acorrentado. Dessa maneira, a sociedade fica presa a falsas realidades construídas culturalmente para atenderem expectativas e não serem excluídas do meio social. Com efeito, distúrbios alimentares, de autoimagem, ansiedade e depressão podem surgir como reflexo da comparação e tentativas frustradas dos indivíduos de se enquadrarem em um padrão de beleza do corpo impostas para aumentar o consumo de produtos e atividades.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para evitar que padrões corporais sejam impostos de forma a prejudicar a sociedade. É imprescindível a atuação da própria mídia, estrutura disseminadora de informações, aliada a participação social, em produzir o respeito à diversidade de formas físicas e diferentes aparências, por meio de publicidades com modelos diversificadas, as quais fujam do padrão, com a finalidade de gerar a identificação das pessoas e promover a representatividade de grupos socialmente minoritários. Desse modo, as singularidades serão valorizadas e os corpos não mais servirão a uma função específica como na Antiguidade.