O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 22/07/2019
No período da Antiguidade Clássica, os gregos passaram a ter uma percepção mais clara do belo estético, com destaque para a perfeição formal somado a sua exposição e admiração. De forma análoga, a sociedade brasileira mostra-se sob as amarras culturais de culto ao corpo, o que gera transtornos alimentares e problemas sociais que necessitam ser resolvidos com urgência.
Nesse contexto, destaca-se a influência dos meios midiáticos para o surgimento dessa problemática. As propagandas de produtos de beleza e os filmes de Hollywood costumam projetar imagens e estilos de vida associados à felicidade alcançada devido à beleza estética. Desse modo, é compreensível o que é visto em pesquisas, de 2016, da empresa Dove, nas quais é indicado que 83% das mulheres se sentem pressionadas para que alcancem um corpo perfeito. É nesse cenário de busca pela perfeição estética que as pessoas utilizam “métodos” nocivos a saúde e desenvolvem distúrbios alimentares, tais como bulimia e anorexia. Assim sendo, surge uma relação paradoxal, uma vez que a busca por um corpo teoricamente saudável tem como consequência o desenvolvimento de problemas de saúde. Ademais, pontua-se que os padrões de corpo ideal podem gerar o “bullying”. O filme de 2009, “Preciosa”, retrata a difícil vida de uma jovem que sofre com o preconceito por causa de sua obesidade e é reprimida por aqueles em sua volta devido a sua condição. Tal fato comprova a máxima de Pierre Bourdieu, que diz que a linguagem corporal marca a distinção social, o que coloca o consumo alimentar, cultural e a forma de apresentação como as mais importantes formas de distinção. Assim, é visto como resultado a obsessão pela busca da beleza corpórea como forma de encaixar-se em um padrão social do que é considerado bonito.
Portanto, é perceptível a criação de uma sociedade baseada em uma cultura hedonista, na qual o corpo perfeito é a única maneira de alcançar-se o prazer, mesmo que afete a saúde ou as relações sociais. Isso posto, é necessário que grupos midiáticos criem propagandas que retratem e explorem, com o uso de diversos personagens, sem que se tenha em vista o padrão estético, a alteridade e singularidade do corpo de cada indivíduo, para que se crie uma aceitação pessoal única. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde a criação de campanhas de apoio e combate aos transtornos mentais e alimentares, de forma que ofereça assistência e acompanhamento gratuitos de profissionais especializados, como nutricionistas, psicólogos, entre outros, que aconselhem métodos seguros, para que se tenha uma boa saúde e sejam tratadas as perturbações alimentares. À vista disso, se cultivará da ideia de beleza singular e se destruirá a extrema busca pelo padrão corporal, bem como promoverá a destituição dessa cultura hedonista que remete às origens gregas.