O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/07/2019
O “super-homem” idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. Entretanto, ao que tudo indica, poucos parecem entender essa lição no que se refere ao culto à padronização corporal. Com efeito, nota-se um cenário preocupante seja pela midiatização exacerbada do corpo perfeito, seja pelos danos nefastos que a busca por esse padrão podem causar.
Em primeiro plano, é fato que grande parte dos conteúdos de consumo estampam um padrão estético como exemplo a ser seguido pela sociedade. Nesse contexto, o filósofo Francis Bacon, em um de seus conceitos, afirma que o comportamento humano é contagioso, ou seja, torna-se enraizado e frequente à medida que se reproduz. Assim, o princípio de Bacon pode ser observado a partir das representações do corpo ideal, sobretudo em mídias sociais, no qual contribuem ainda mais para que estereótipos sejam perpetuados. Todavia, não é razoável que, mesmo na pós-modernidade, ainda exista uma visão limitada de corpo.
Por outro plano, na busca para atingir as medidas de beleza, muitos chegam a arriscar suas vidas com procedimentos cirúrgicos ou dietas extremas. Sob esse viés , a cantora norte-americana Beyoncé em 2014 lançou a canção “Pretty Hurts” -a beleza machuca, em português -, no qual faz referência aos indivíduos que cultuam mudanças estéticas invasivas para atingir a felicidade. De maneira análoga, na tentativa de assemelhar a tais padrões , o indivíduo fica exposto a problemas físicos e psicológicos, como bulimia e depressão, já que o corpo idealizado distancia-se do mundo real e é quase impossível de ser atingido. Contudo, enquanto tal culto se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com uma sociedade frustrada e doente por nunca estar satisfeito com a própria imagem.
Mediante aos fatos expostos, observa-se que o corpo humano é esteticamente plural por si só e, portanto, deve ser respeitado. Sendo assim, as empresas publicitárias, mediante suas campanhas e comerciais, competem apresentar a coexistência de diversas aparências físicas, a fim de desconstruir padrões e trazer representatividade. Ademais, a escola como formadora de opinião deve, por meio de debates e aulas, abordar os modelos de beleza erroneamente difundidos, com o objetivo de promover reflexões e questionamentos sobre os estigmas corporais. Desse modo, a sociedade livrar-se-á das amarras sociais.