O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 31/07/2019
Na Grécia Antiga, os padrões estéticos eram muito importantes, visto que existiam concursos de beleza entre os gregos nos centros de treinamento das Olimpíadas. Nesse contexto, os homens com corpo atlético e lábios carnudos, bem como, mulheres com maior massa corporal eram bem vistos pela coletividade, o que revela o louvor aos protótipos de beleza da época. Analogamente, na atualidade brasileira, há o predomínio do culto à idealização corporal, uma vez que os brasileiros têm o pensamento errôneo de que existem modelos corporais melhores do que outros. Sendo assim, dentre as principais questões relacionadas ao tema, têm-se: a aceitação dessa ideia no coletivo e individual. Desse modo, são requeridas medidas que desfaçam as ideias de padronização corporal no Brasil.
Primeiramente, destaca-se a normalização desse fato. Consoante o sociólogo Émile Durkheim, os fatos sociais exercem força sobre os indivíduos e os levam a conformar-se às regras da sociedade em que vivem, independente de suas escolhas e vontades, por meio da coerção social. Da mesma forma, esse ideal se constitui como explicação ao fomento pela padronização corporal no país. Nesse sentido, os grupos sociais aceitam às normas estabelecidas para os padrões de beleza. As mídias televisivas, por exemplo, ao valorizarem muito a estética, se utilizam muito de pessoas com o “padrão correto” para realizarem comerciais de produtos, como maquiagens e roupas. Por conseguinte, os brasileiros aceitam a mentalidade de que aspectos, como cabelo liso, magreza e brancura da pele, são exaltados em detrimento de outras. Dessa maneira, se torna essencial o combate a esse tipo de pensamento.
Ademais, lembra-se acerca da percepção pessoal em relação ao assunto. Nessa perspectiva, as crianças são vítimas da veneração à padronização corporal já no ambiente familiar, haja vista que os pais as comparam com outras que eles consideram possuir melhores características. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” e isso se aplica a essa situação, pois, ao passo que os meninos e meninas vivenciam esses fatos, eles se tornam compactuadores dessa ideia, por não conseguirem pensar além do que lhes foram ensinados. Assim, a concepção errada sobre o tema, evidencia a necessidade de sua erradicação.
Logo, alternativas devem ser apresentadas para a resolução dessa problemática. A princípio, é preciso que as mídias televisivas sejam democráticas sobre a participação de pessoas nos comerciais. Para isso, elas precisam estabelecer condições aos donos das marcas a serem apresentadas, por meio de um contrato, que exigem a mostra da pluralidade das feições dos brasileiros, a fim de culminar com o ideal de padrão de beleza. Posteriormente, os pais devem rever seus princípios e reconhecerem que não há um ideal de estética, com o fito deles não propagarem esse ensinamento para os seus filhos.