O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/05/2020
O personagem grego Narciso foi vitima da sua paixão pela própria beleza ao se afogar ao tentar alcançar seu reflexo no fundo de um lago. Fora da ficção, esse culto desmedido ao corpo mostra-se como uma situação problemática presente e necessária de ser combatida no Brasil. Dentre as principais barreiras a serem vencidas está a rentabilidade da indústria e a baixa autoaceitação.
Em primeira analise, um agravante dessa problemática é o lucro que ela gera. Isso ocorre, pois existe um mercado que vende procedimentos e produtos que prometem levar o indivíduo ao grau de perfeição estético exibido nas propagandas. Contudo, a indústria da beleza esconde, propositalmente, que o padrão criado por eles é virtualmente impossível de se alcançar, uma vez que se utiliza de programas de computador para editar a aparência dos modelos, para, com isso, fidelizarem sua clientela e consolidar o lucro. Esse cenário exemplifica o “Capitalismo Parasitário”, visão do pensador contemporâneo, Zygmund Bauman, a qual compara a fase econômica atual com um ser que não se prende a valores morais, um verdadeiro parasita, para alcançar seu objetivo, que é o lucro. Consequentemente, essas mentiras criam um ciclo de angústia e fragilidade emocional nos compradores quando percebem a distância entre eles e o padrões almejados nunca irão sumir.
Ademais, outro fator que dificulta a resolução desse desafio é a baixa autoestima de muitos indivíduos. Tal cenário perdura, porque com o advento das mídias sociais a exposição e as criticas cresceram exponencialmente, o que fragiliza o sujeito. Para evitar esse constrangimento várias pessoas colocam seus corpos em risco com uso de medicamentos e cirurgias somente para conseguir expor uma imagem melhor aos críticos virtuais. Essa idealização é criticada por Guy Debord em sua obra “Sociedade do Espetáculo” ao relatar que viver uma criação para agradar os demais torna o homem entorpecido e alienado, o que o priva de aproveitar a realidade. Com isso, além de se expor a perigos, os quais podem levar a morte, grande parte da população terceiriza o controle de sua vida a opiniões vindas daqueles que não os conhecem.
Portanto, para solucionar essa luta contra a padronização corporal o Ministério da Saúde deve junto ao Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (CONAR) deve frear o uso de mentiras da indústria. Para tal, deve-se criar um documento obrigatório as empresas do meio caso desejem exibir algum tipo de propaganda. Nessa declaração, os acordantes se comprometem em usar o mínimo de efeitos digitais para modificar os corpos dos modelos e apresentarem uma variedade de tipos corporais. Dessa maneira, a maioria das pessoas terá uma melhor aceitação de suas aparências, o que as colocarão em menos riscos, além de fomentar um consumo maior para a autossatisfação.