O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/08/2019

A definição de beleza é subjetiva e mutável ao longo da história e de acordo com a cultura local. No entanto, hoje, é observada a perda da diversidade estética e a preocupante padronização corporal propagada pela mídia e estimulada pela indústria. Nesse sentido, o cuidado com o corpo torna-se preocupantemente um fator de risco para a saúde física e mental da população brasileira.

Primeiramente, conforme o conceito de “sociedade do desempenho” do sociólogo Byung-Chul Han, os indivíduos vivem pressionados a alcançar altos desempenhos, inclusive estéticos. Sob essa perspectiva, é inegável que a mídia, por meio das revistas e influenciadoras digitais, é a principal propagadora dessa “ditadura da beleza” ao limitar um padrão inacessível. Consequentemente, devido à essa cobrança por um “corpo ideal” crescem os casos de transtornos alimentares como anorexia e bulimia, principalmente entre os adolescentes que em um período conturbado de importantes transformações não recebem orientação escolar ou familiar sobre essas questões.

Além disso, analogamente ao pensamento de sociedade de consumo do sociólogo Jean Baudrillard, o capitalismo gera demandas e cria necessidades mercantis. Logo, a transformação do corpo em mercadoria serve para atender os interesses dos setores farmacêuticos, da moda e dos procedimentos estéticos que a todo momento enfatizam a necessidade de aperfeiçoamento. Por consequência, apesar da crise econômica, o mercado da beleza permanece em alta e, segundo pesquisas do Instituto Fecomercio, os gastos nesse segmento preocupantemente superam os com educação, reflexo de uma cultura de valorização da forma em detrimento do intelecto que necessita ser reavaliada.

Portanto, o Estado, por meio de ação integrada dos Ministérios da Saúde e da Educação, deve ampliar o acesso ao acompanhamento psicológico nas escolas, como também elaborar projetos de conscientização com palestras e fóruns de debate em todos os níveis educacionais sobre os limites do culto ao corpo, a fim de prevenir distúrbios e fortalecer a autoestima dos jovens. De mesma importância, é necessário que o poder público, com atuação das agências governamentais em parceira com os meios de comunicação, desenvolva campanhas, principalmente com o uso das mídias, que representem a diversidade estética da população em prol da construção de um conceito plural de beleza.