O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 16/08/2019

Não leiam revistas de moda, elas só te fazem se sentir mais feio, disse o jornalista Pedro Bial em seu texto Filtro Solar. De fato, a influência das mídias sobre a sociedade sempre foi forte, principalmente ao ditar padrões de beleza alimentando nas grandes massas um preocupante culto à aparência. Assim, a intensificação desses padrões de beleza podem ser prejudiciais a sociedade, visto que são usados como massa de manobra e são bastante utópicos, o que torna mister um debate acerca dos seus aspectos.

É preciso considerar, antes de tudo que o indivíduo é um ser social e como tal precisa se sentir pertencente ao grupo que faz parte. Se, na sociedade de consumo, os indivíduos são, cruelmente, avaliados pela sua aparência por ela - aparentemente - definir seu  possível status social, quem não se enquadra nessa rígida ditadura da beleza imposta pela mídia acaba por ser , cruelmente, segregado socialmente. Isso acontece porque, segundo o sociólogo Karl Marx, a mídia é um instrumento de massa utilizado para propagar o que a classe dominante considera aceitável. Logo, quem não se encontra nos padrões impostos, infelizmente, não tem seu espaço e lugar de fala respeitados, o que intensifica preconceitos e estigmas sobre grupos menos favorecidos.

Ademais, cabe analisar também que a maior parte das pessoas costumam vender uma imagem que não é real, se transformando em mercadorias. Para Bauman, na contemporaneidade, direta ou indiremente, as pessoas são vistas como mercadorias uma pelas outras e, tristemente, por isso, se esforçam para se tornar e permanecer uma mercadoria comprável seguindo os padrões estéticos. Entretanto, muitas pessoas contribuem com essas indústrias tentando alcançar um padrão, propositalmente elitizado, rígido e inalcançável, como as cirurgias de emagrecimento, dietas rigorosas e comprimidos de colágenos questionáveis,  se frustrando quando não conseguem o resultado esperado.  Consequentemente, têm-se uma sociedade, injustamente, com problemas severos, com altos índices de depressão, anorexia e entre outros distúrbios físicos e psicológicos.

Fica evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para lidar com esse impasse que só prejudica a sociadade e não traz benefícios, que é essa massificação dos padrões estéticos.Logo, o Ministério da Saúde deve, em parceria com jornais, revistas e programas de entretenimento, promover conteúdos que visam ressaltar a importância de quaisquer diversidade étnica, de classe e cultural, com o fito de que a sociedade se sinta representada, não de forma pejorativa, mas de forma respeitosa e honesta. Ao Ministério da Educação, fica com o dever de instaurar nas escolas um debate sobre a estética, com palestras e trabalhos a fim de elucidar a questão.