O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 28/08/2019

Singularidade: a verdadeira beleza

Na mitologia grega, Narciso era um herói famoso pela sua beleza incomum; em uma de suas desventuras, por muito se contemplar nas águas de um rio acaba perdendo o equilíbrio e se afoga. Hodiernamente, pode-se comparar o mito com a busca pela aparência ideal no século XXI: em que, gradativamente, os padrões de beleza que são impostos pela industria televisiva e da moda afetam tanto o bem-estar, quanto a saúde das pessoas.

Em primeiro plano, é evidente que a mídia e a indústria da moda influenciam de forma intensiva na opinião da população. Por conseguinte, a massificação da divulgação de padrões de beleza em programas de tv, redes sociais e no mundo da moda faz com que as pessoas sintam necessidade de associar-se adentrar a essa esfera, muitas vezes, com o intuito de adquirir uma boa reputação e ser aceito no meio social. Nesse sentido, tendo em vista pesquisas realizadas pela empresa de estatística Edelman intelligence, cerca de 80% das mulheres se sentem pressionadas a atingir padrões de beleza que, frequentemente, são inatingíveis e podem gerar problemas psicológicos como depressão e ansiedade o que afeta diretamente o bem-estar não só de mulheres como também dos homens, o que demonstra a gravidade da problemática.

Outrossim, além dos empecilhos causados ao bem-estar da população, os problemas decorrentes da saúde também são consequências do culto à padronização corporal. Diante disso, é notório que para atingir tais ideais de beleza muitas pessoas acabam optando pelo o uso de anabolizantes, remédios e cirurgias plásticas que além de possuírem alto risco também fazem mal a saúde. Desse modo, pode-se vincular um dos casos mais recentes sobre a temática, em que a bancária Lilian Calixto de 46 anos se submeteu a procedimentos estéticos para a inserção de silicone e acabou morrendo; o que demonstra o quão perigoso e arriscado pode ser realizar uma cirurgia. Nesse sentido, faz-se necessário a dissolução dessa conjuntura.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para dirimir a questão. A priori, é fundamental que a partir da composição tripartite - governo, entidades privadas e mídia -, ocorra a divulgação da coexistência dos diversos modelos físicos de beleza, por meio de propagandas midiáticas abrangentes e impactantes que incluam diferentes estilos e portes físicos, para que assim o ideal de um padrão único de beleza seja desconstruído. Além disso, é importante que a OMS realize campanhas sobre os riscos a saúde que a busca por padrões inatingíveis pode causar. Só assim, casos como o de Narciso serão evitados e as singularidades de cada pessoa serão reconhecidas.