O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 22/10/2019

A busca pelo corpo perfeito remete ao que o escritor Jean Baudrillard abordou em “À sombra das minorias silenciosas”, com a visão de uma sociedade irracional e segregada. Analogamente, a indiferença humana em torno da área social estabelece limites nas relações entre os homens. Dessa forma, a negligência afeta, inclusive, a população juvenil. É nesse viés que a problemática do culto à padronização corporal aponta a falta de consciência coletiva nos atuais paradigmas do Brasil.

Nesse sentido, as causas da obsessão pelo corpo perfeito podem ser observadas sob perspectivas sociais e humanas, tendo em vista que se tornaram reflexos da perpetuação do individualismo no tecido social brasileiro. As propagandas e as publicidades enaltecem um corpo trabalhado, como se fossem o único símbolo de beleza aceitável. Os desfiles de moda exigem mulheres magras e altas, induzindo qual seria o modelo ideal de corpo feminino. Nesse contexto, jovens têm buscado alcançar esse perfil, mesmo que afete a saúde e o bem estar. Logo, percebe-se, na área social, uma falência de ideologias que confirmam a visão de Baudrillard ao cultuar uma padronização corporal no Brasil.

Evidentemente, é preciso salientar os impactos para os próprios jovens. A obsessão por um corpo magro e esbelto faz com que adolescentes deixem de comer, evitando a gordura. Essa atitude pode resultar em transtornos alimentares e doenças decorrentes da falta de vitaminas. Sob esse contexto, é certo declarar que a população brasileira apresenta uma completa inversão de valores. Além disso, quando o jovem não alcança o resultado esperado, a baixa autoestima resulta em uma busca pelo isolamento, já que ele acredita que não será aceito socialmente. Dessa maneira, ao analisar as consequências do culto à padronização corporal no Brasil, pode-se dizer que há uma relação de interdependência entre o indivíduo e a sociedade, como teorizada pelo sociólogo alemão Norbert Elias.         Fica claro, portanto, que os preceitos elementares entre indivíduo e sociedade, assegurados pela teia de interdependência de Elias, devem ser explorados de forma que a população brasileira adquira novos valores acerca da importância da saúde corporal. Nessa perspectiva, faz-se necessário que o Ministério da Saúde –em parceria com instituições privadas- promova a criação de vídeos e de enquetes, por meio de plataformas digitais, com discussões e debates desenvolvidos por profissionais da área sobre como a busca pelo corpo perfeito pode afetar, diretamente, a saúde do indivíduo. Assim, espera-se que a Educação Social desperte a preocupação e o conhecimento da população, já que se observa uma alteração nos padrões sociais brasileiros.