O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/09/2019

O culto a simetria, ao belo e consequentemente aos padrões de beleza, sempre estiveram presentes nas sociedades mais complexas, especialmente a partir da Grécia Antiga, e depois de forma marcante no Renascimento, com as pinturas humanistas. No entanto, a valorização de um padrão corporal possui diversos malefícios sociais e para a saúde dos indivíduos. Diante disso, a exposição de padrões de beleza “ideais” na internet, por meio da publicidade nas redes sociais e o patriarcalismo impregnado na sociedade, são os principais responsáveis pelo atual quadro.

Em primeiro lugar, as redes sociais corroboram com a disseminação de um padrão de beleza a ser seguido. Segundo o filósofo Deleuze, há uma “fábrica de buracos” em nossa sociedade, pois a todo momento somos “bombardeados” por coisas que nos faltam e daí surgem os desejos de ter aquilo que ainda não possuímos. Paralelamente, as redes sociais exercem a função de uma “fábrica de buraco”, que por meio de propagandas e publicações de internautas os padrões corporais são formados, em que os “melhores” são avaliados pela quantidade de “likes”. Dessa forma, as redes sociais contribuem negativamente nas interações socais, haja vista que compara os indivíduos entre belos e feios.

Outrossim, o patriarcalismo promove a idealização da mulher sob uma ótica machista que as tornam ainda mais reféns dos padrões corporais. Segundo a antropóloga Margaret Mead, os padrões culturais existentes na sociedade, produzem a padronização de normas a partir de indivíduos com inclinações semelhantes, que tornavam como natural determinadas estruturas e características da sociedade. De forma análoga, a padronização do corpo feminino surge a partir de uma sociedade patriarcal e machista, que torna a mulher um objeto sexual e, além disso, com traços delicados. Sob tal ótica, a mulher se torna refém da visão machista que lhe é imposta e encara como natural a idealização de seu corpo, sendo obrigada a encaixar-se nele, que por conseguinte se tornam vítimas das normas autoritárias citadas por Margaret Mead.

Infere-se, portanto, que o culto ao padrão de beleza deve ser amenizado. Para que as redes socais não tornem as publicações em ferramentas de comparação entre os próprios internautas, urge que o Congresso Nacional regularmente os termos de uso das redes sociais, por meio de propostas legislativas que proíbam a opção de reações como “likes”, “amei” e “curtidas” nas diversas redes sociais. Além disso será dever da sociedade civil realizar movimentos contrários as idealizações do corpo feminino produzidos por uma visão machista. Somente assim, a sociedade contemporânea caminhará para a abolição dos padrões corporais cultivados desde a antiguidade e intensificados nas redes sociais.