O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/09/2019

Segundo Jean-Paul Sartre, o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir. Sendo assim, recai sobre o homem o dever de se tornar mais ético e consciente. No mundo hodierno, o culto à padronização corporal, que traz diversas consequências ao indivíduo, reflete essa realidade. Desse modo, é necessário que a sociedade, com apoio do Estado, encontre soluções eficazes para mitigar os efeitos de tal quadro.

Deve-se pontuar, de início, que o culto ao padrão estético imposto não é uma particularidade da sociedade pós-moderna: conforme relatos historiográficos, na Grécia Antiga, durante a Antiguidade Clássica, corpos atléticos eram valorizados e cultuados. No mundo contemporâneo, contudo, há um artifício que contribui para a problemática em pauta, que são as redes sociais. De certo, no ambiente virtual, os usuários sofrem intensa pressão para se enquadrarem no corpo ideal. Isso ocorre devido, segundo a Associação Brasileira de Psicologia, à necessidade de satisfazer o ego, que recompensa o indivíduo com descargas de dopamina — o hormônio do prazer. Assim, cria-se um ciclo vicioso em busca de satisfação.

Nessa perspectiva, vale destacar que a obsessão pelo corpo perfeito traz danos às pessoas. Dessa maneira, o cidadão em busca do padrão inatingível pode desenvolver quadros graves de avitaminoses, haja vista ser comum a restrição a certas refeições ricas em vitaminas e nutrientes. Além disso, as relações sociais também são afetadas: o desequilíbrio hormonal, causado pela ingestão alimentar inadequada, gera estresse, ansiedade e irritabilidade. Logo, o isolamento social também é notório em indivíduos com tal obsessão, podendo ocorrer, em quadros diagnósticos extremos, o desenvolvimento de depressão e, consequentemente, levar ao suicídio.

Posto isso, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. Assim sendo, o Ministério da Educação, com apoio do Ministério da Saúde, deve elaborar materiais didáticos, como pequenas histórias em quadrinhos, para alunos do ensino fundamental e médio, com um conteúdo que aborde acerca dos malefícios gerados pelo culto ao corpo perfeito, conscientizando, desde cedo, os jovens. Em paralelo, é interessante que o Governo Federal promova palestras públicas — nos principais centros urbanos — ministradas por agentes do Estado, mostrando à população a importância do bem-estar e da saúde mental no que concerne à padronização corporal.