O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/09/2019

No filme “O amor é cego”, o protagonista, um homem que namora apenas garotas com alto padrão de beleza, é hipnotizado por Tony Robbins para que veja na aparência o que as pessoas são no interior. Fora da ficção, o culto à estética é tão rotineiro e preocupante quanto no filme e prejudica a qualidade de vida de todos os brasileiros.

Em primeiro lugar, é necessário compreender de que forma os padrões de beleza estão introduzidos na rotina contemporânea. Sobre isso, Adorno e Horkheimer apresentaram o conceito da indústria cultural, que é caracterizada pela padronização e homogeneização de produtos. Portanto, expandindo-se tal conceito para pessoas, têm-se os concursos de miss, o fisiculturismo, as gueixas do século XX, bonecas com corpos inalcançáveis, como a Barbie, e tantos outros exemplos que exaltam uma aparência inviável visando o lucro e a fama.

Além disso, os impactos causados pela busca dos padrões de beleza ultrapassam o meio econômico. Lançado em 2017, o filme “O mínimo para viver” conta a história de Ellen, uma jovem com anorexia que é desafiada, por um médico não convencional, a mudar sua vida. Porém, os transtornos alimentares não se limitam as ficções e já atingem quase 5% da população brasileira, segundo a Organização Mundial de Saúde, onde os principais afetados são os adolescentes.

Dessa forma, medidas são necessárias para resolver o impasse. É necessário, portanto, que a mídia e a Agência Nacional do Cinema veiculem desenhos animados, propagandas e curta-metragens, em rede aberta de televisão, com a temática da valorização de todos os tipos de corpo, para que impacte os brasileiros sobre a não existência de um padrão de beleza. Além do mais, é preciso que as instituições de ensino, mediante seminários e projetos escolares, debata sobre os prejuízos do culto à estética com o objetivo de reduzir os transtornos alimentares. Quem sabe assim, ninguém precise do Tony Robbins para mostrar o que realmente importa.