O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 20/09/2019

Nas Grécia antiga, os gregos tinham um fascínio por corpos perfeitos, acarretando uma exaltação e glorificação desses. Agora, mais de dois mil anos depois, a ideia de idealizar uma estética perfeita - para cada cultura - continua presente. Porém, esse processo se intensificou mais com a criação e difusão da internet. Logo, os resultados desse fenômeno podem ser observados no século XXI, tais como o detrimento da saúde mental.

Em primeiro lugar, vale lembrar que, após a Guerra fria, o mundo passou por um processo conhecido como globalização. Assim, apesar de que, como aponta o sociólogo Roland Robertson, o global e o local se colidem, o que gera um encontro de ideias e culturas distintas. Porém, com o advento das redes sociais, criaram-se “bolhas” exclusivas e isoladas. Essas, por sua vez, se dão entre indivíduos que tendem a “seguir” pessoas com interesse em comum e como uma forma de viver a vida de outrem. Impactando, assim, cada vez mais adolescentes e jovens.

Ainda, nesse sentido, algumas mídias sociais se tornam mais agravantes que outras. Desse modo, um dos exemplos é o Instagram, que tem como foco as imagens e fotos. Pois, como o corpo perfeito é cada vez mais considerado uma “mercadoria”, há uma exposição de forma perpétua desse ao longo da “timeline”. Ou seja, a partir do momento em que alguém vê uma foto perfeita, tem-se o desejo de se tornar assim, provocando uma série de pensamentos negativos nos adeptos dessa rede. Outrossim, como aponta o sociólogo Zygmunt Bauman em seu livro Retrotopia, há um desejo do ser humano em idealizar o passado e não aproveitar o presente. Dito isso, criou-se um termo usado nesses locais, o “Throwback Thursday”, em que sempre se busca o passado, provocando um aumento de ansiedade e depressão nas redes sociais.

Desse modo, portanto, medidas precisam ser tomadas para que a imagem de si próprio não seja abalada por fotos lapidadas. Nessa perspectiva, devem-se fazer parcerias entre as Secretarias de Saúde e as escolas públicas para a realização de palestras focadas em autoimagem. Essas, serão ministradas por psicólogos treinados para tal. Também, de forma a corroborar com esse discurso, médicos psiquiatras devem dar aulas mensais aos alunos e pais dessas escolas, com a finalidade de diminuir os impactos negativos das redes sociais. Por fim, deixando o culto ao corpo grego no passado.