O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 25/09/2019
A musica “Mrs. Potato Head” de Melanie Martinez, cantora famosa entre os jovens, faz uma crítica à pressão estética sofrida pelas mulheres, que são bombardeadas com campanhas midiáticas de modo a nunca ficarem satisfeitas com seus próprios corpos e, assim, realizarem infinitas cirurgias. Essa canção questiona se a beleza dói e, infelizmente, no Brasil, a resposta é sim, pois o lucro dos capitalistas, muitas vezes, é mais importante do que a qualidade de vida da população, induzida a se padronizar.
A estética moderna é criada no photoshop, para garantir uma padronização corporal que só beneficia o mercado, pois, a partir da não contemplação da diversidade, ele pode diminuir a variedade de produtos ofertados e praticamente obrigar os consumidores a se adequarem. Para se livrar dessa opressão, um movimento virtual cresce cada dia mais no Brasil. Alexandra Gurgel, mulher gorda, é uma das ativistas e escreveu o livro “Pare de se odiar” para ajudar mulheres a substituirem o auto ódio, estimulado pelas revistas de beleza e pelo comércio, por amor próprio. Entretanto, por não ter a divulgação da grande mídia, conteúdos importantes como esse, lamentavelmente, quase não possuem tanta visibilidade e perdem sua eficiência em diminuir o culto à uniformização dos corpos brasileiros.
Além disso, o modo com que se atinge a forma padrão também tem consequências drásticas, que começam na mente, através da distorção de imagem corporal, chegando a transtornos compulsivos, como anorexia, bulimia e, as recém surgidas, ortorexia e vigorexia. Esses termos designam, respectivamente, a obsessão por comida saudável e por exercícios físicos, o qual atinge principalmente homens, grupo não tão atingido pela pressão estética. Ou seja, a cada dia surgem novas doenças relacionadas ao culto da beleza padrão, que abrangem mais pessoas e estilos de vida, para sustentar um modelo econômico que valoriza o lucro em detrimento da dignidade humana.
Padrões de beleza idealizados são, portanto, gatilhos para a insatisfação pessoal e, ao mesmo tempo, sustento para empresas relacionadas à estética. Logo, é necessário que as revistas femininas e os programas matinais de televisão incluam a participação de mulheres como Alexandra, que estão fora do padrão e possuem pautas relevantes para diminuir a pressão estética, pois isso aumentará o público dessas mídias, abrangendo nichos antes excluídos e os inserira no conceito de beleza. Ainda, é importante que o governo federal faça parcerias com organizações privadas desse ramo, concedendo isenção de impostos às que investirem na contratação de novos profissionais de saúde mental, que tratarão os transtornos alimentares e de imagem, para o Sistema Único de Saúde, para que as consequências da promoção da padronização corporal não sejam ignoradas, mas reduzidas. Dessa forma, o Brasil deixará de cultuar apenas uma forma de beleza e abraçará a pluralidade.