O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/10/2019
A canção “Pretty Hurts”, em português: a beleza machuca, da cantora norte-americana, Beyoncé, retrata os padrões estéticos e suas consequências. Fora da música, a realidade brasileira demonstra as mesmas conotações no que se refere ao culto à padronização corporal. Nesse contexto, percebe-se a consolidação de um grave problema de contornos específicos, seja em virtude do individualismo, seja pela manipulação dos veículos de comunicação.
Convém ressaltar, a princípio, que a falta de empatia caracteriza-se como um complexo dificultador. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo egoísmo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica, no que tange aos padrões de beleza, pois, faz com que as jovens se sintam inferiores umas as outras, consequentemente, o que faz gerar o consumismo por cirurgias plásticas cada vez mais. Desse modo, a liquidez que influi sobre a questão da perfeição corporal funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da má influência midiática. De acordo com uma pesquisa divulgada na “Há Uma Beleza Nada Convencional” mais de 80% da população feminina sentem uma pressão para alcançar a definição de beleza ideal. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover campanhas que elevem a beleza natural das brasileiras, apenas influencia na consolidação do problema com propagandas, infelizmente, pejorativas.
Torna-se evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, é imperioso que o Ministério da Saúde, em parceria com os influenciadores digitais, promovam campanhas nas redes sociais, bem como Instagram, YouTube, Facebook. Estas devem ocorrer por meio da produção de vídeos ou fotos, sem o uso de efeitos especiais e maquiagem, com “hashtag” para facilitar na divulgação. Essa ação será feita com o intuito de valorizar a beleza natural, mostrando que ninguém é perfeito como demonstra ser. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei da Terra”.