O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/10/2019

Na mitologia grega, Narciso, através de um feitiço, se apaixona pela própria imagem ao ver seu reflexo no lago. No entanto, morre ao tentar possuí-la. Nos dias de hoje, a padronização corporal é uma questão em destaque no Brasil, visto que as pessoas buscam cada vez mais se encaixar em modelos pré-definidos pelo âmbito social, colocando em risco, muitas vezes, a própria saúde. Diante disso, é necessário entender e tratar as raízes do problema para mitigar essa mazela.

Em primeiro lugar, é válido destacar que a mídia propaga na sociedade, por meio de propagandas, que o ‘‘corpo perfeito’’ é sinônimo de realização. Prova disso é a atriz norte-americana Marilyn Monroe, que no século XX foi considerada símbolo do corpo ideal por possuir a estrutura física com curvas acentuadas. Nesse sentido, as pessoas buscam a todo custo se encaixar nesse padrão, e procuram métodos, muitas vezes, inadequados para atingis tal fim, como, por exemplo, deixar de se alimentar e praticar exercícios excessivamente. Tal realidade, vai ao encontro ao que dizia o sociólogo Émile Durkheim, que a sociedade define o indivíduo por meio da coerção social.

Ademais, é importante considerar o preconceito enraizado na população em relação a quem não se encaixa nesse padrão. Acerca dessa lógica, segundo a revista Abril M de Mulher, mais de 80% das mulheres brasileiras se sentem intimidadas por esse estereótipo, que passam a sofrer bullying e constrangimentos. Nesse contexto, Jean Paul Sartre, filósofo existencialista do século XX, define que o indivíduo ao criar o homem que deseja ser, passa a julgar os outros por essa visão. Tal cenário, demonstra a necessidade de reverter essa situação para mudar essa realidade.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Governo Federal, através de órgãos reguladores, dinamizar a forma como o corpo feminino é exposto na mídia, impondo a diversidade e desassociando a estrutura física ao símbolo de perfeição, para que as mulheres passam a se identificar com as várias formas existentes e se tornarem conscientes da individualidade. Além disso, o Ministério da Educação deve, por meio de palestras educacionais nas escolas, demonstrar aos jovens e adolescentes a importância de serem empáticos e respeitosos a fim de romper com a propagação do preconceito na sociedade, visto que eles são o futuro do país. Somente assim, o desejo de posse por beleza será presente apenas no mito.