O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/10/2019
No filme " Mínimo para viver", a protagonista sofre inúmeros problemas, entre eles, bulemia e anorexia, por tentar se enquadrar nos padrões sociais pré-estabelecidos para o corpo. Analogamente com a realidade, tal impasse é muito presente nos dias atuais. Isso se deve por paradigmas impostos socialmente, os quais, a partir da coerção social, geram distúrbios assim como vistos no filme. Dessa forma, torna-se imprescindível a análise da mazela a fim de atenuá-la.
A princípio, é necessário observar, historicamente, os padrões sociais pré-estabelecidos socialmente, visto que tal costume sempre foi presente nas sociedades e apenas foi se modificando ao decorrer do tempo. Exemplo disso foi no período renascentista, o qual resgatou a “perfeição” humana, com corpos magros, esbeltos e malhados. Dessa maneira, quem estivesse excluso dessas categorias não possuía tal exaltação de beleza. Nessa perspectiva, no contexto atual, houve o resgate desses paradigmas disseminados de forma geral, mudando a visão de beleza e pressionando as pessoas a se encaixarem em tais aspectos. Sendo assim, faz-se necessário a desconstrução dessa cultura de enaltecimento corporal, pois apenas prejudica os indivíduos.
Por conseguinte, com tal coerção social sobre os corpos das pessoas, vários distúrbios são causados em função disso, entre eles, estão a bulemia e a anorexia. Outrossim, segundo o psicólogo Freud, com a sua teoria da “Psicologia das massas”, a maioria tende a coibir a minoria, e essa aceita passivamente sua ideologia. Desse modo, evidencia a existência de uma imposição ideológica social perante o corpo, em que pessoas, as quais estão distantes dessa perspectiva, são coibidas a seguirem, podendo causar transtornos psicológicos com a fixação de submissão ao padrão corporal pré-estabelecido. Destarte, é preciso desmitificar tais valores idealizados em favor do bem social.
É mister, portanto, haver medidas para a atenuação do problema. Para isso, é necessário a desconstrução da cultura opressora corporal e, assim, estagnar a coerção social com os oprimidos. A fim disso, a Secretaria de Saúde em parceria com o Ministério da Educação (MEC) devem iniciar workshops exclusivos sobre o assunto, ministrados por psicólogos, com a utilização de debates e discussões informando e orientando ao tratamento psicológico no SUS, para que, consequentemente , tenha-se a diminuição do número de casos negligenciados. Além disso, o órgão da educação deve inserir “Ideologia corporal” na grade curricular de Sociologia, com a finalidade de desconstrução da cultura corporal a partir do ensino fundamental, garantindo a abordagem da mazela em sala de aula. Por fim, com tais medidas, a realidade vivida atualmente, aos poucos, ficará apenas na ficção de filmes.