O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/10/2019

Na mitologia grega, Narciso, através de um feitiço, se apaixona pela própria imagem ao ver seu rosto refletido em um lago. Nos dias de hoje, a padronização corporal é uma questão em destaque no Brasil, visto que, as pessoas buscam cada vez mais adequar-se em modelos pré-definidos pelo âmbito social, colocando em risco, muitas vezes, a própria saúde. Diante disso, é necessário entender e tratar as raízes do problema para mitigar essa mazela.

Em primeiro lugar, é válido destacar que a mídia propaga na sociedade, que o ‘‘corpo perfeito’’ é sinônimo de realização. Prova disso é a atriz Marilyn Monroe, que no século XX foi considerada símbolo do corpo ideal por possuir a estrutura física com curvas acentuadas. Nesse sentido, as pessoas buscam a todo custo inserir-se nesse padrão, e procuram métodos, muitas vezes, inadequados para atingir tal fim, como, por exemplo, deixar de se alimentar e praticar exercícios físicos excessivamente. Tal realidade ratifica o que dizia o sociólogo Émile Durkheim, que a sociedade define o indivíduo por meio da coerção social.

Ademais, é importante considerar o preconceito enraizado na população em relação a quem não se adequa a esse padrão. Acerca dessa lógica, segundo a revista Abril M de Mulher, mais de 80% das mulheres brasileiras se sentem intimidadas por esse estereótipo presente no corpo social, que quando não seguido, passa a receber críticas e constrangimentos. Nesse contexto, Jean Paul Sartre, filósofo existencialista do século XX, define que o indivíduo ao criar o homem que deseja ser, passa a julgar os outros por essa visão. Tal cenário, demonstra a necessidade de reverter esse panorama.

Entende-se, portanto, que a padronização corporal decorre da influência midiática na sociedade atrelada ao preconceito. Sendo assim, faz-se necessário que o Ministério Público Federal, por meio de órgãos reguladores, fiscalize os meios de comunicação a fim de desassociar a estrutura física ao símbolo de perfeição e romper com a influência negativa de tais meios. Além disso, o Ministério da educação deve desenvolver projetos nas escolas, como o Programa Semente, que através de debates e palestras sobre autoconhecimento possa promover a empatia e desconstruir o preconceito presente no corpo social, tornando, assim, os alunos mais críticos e conscientes da individualização. Somente assim, o desejo exacerbado pela posse da imagem será presente apenas no mito.