O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 10/10/2019
O filósofo Foucault, na obra Vigiar e Punir, aborda como o poder constitui as relações no interior das sociedades, além disso impor padrões sociais por meio de normas. Posto isso, a busca por aceitação sempre foi um ponto existente na psique humana, todavia, se estrutura um meio nocivo, quando metas inalcançáveis são estipuladas e indivíduos são marginalizados por não atenderem ao modelo estético. Desse modo, é necessário discutir a obsessão da cultura brasileira pela aparência. Ademais, nota-se que o adoecimento populacional é um mecanismo utilizado na obtenção de capital.
Em primeiro plano, é imprescindível entender que, por se viver em uma sociedade pautada no consumo, a fixação pela imagem é uma questão constante, visto que o valor do sujeito se apresenta no parecer. Contudo, o panorama se agrava quando a matéria é Brasil, uma vez que está se tratando de um país que, mesmo possuindo uma grande mistura e diversidade étnica, promove padrões estritamente europeus. Dessa forma, conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a nação é a segunda na classificação mundial de cirurgias plásticas, sendo que foram mais de oitocentas mil pessoas operadas só em 2016. Logo, não é de se espantar que, ao passo que há um enorme conflito entre as imposições da cultura e a realidade da população, inúmeras patologias são propagadas e todo e qualquer método é utilizado em ordem para se enquadrar.
Outrossim, é preciso destacar que a obesidade é um distúrbio que possui graves implicações na saúde, porém se constata a problemática, assim que a indústria da estética e a mídia tentam disseminar a noção de que qualquer corpo não magro está fora do que é considerado saudável. Dessa maneira, o objetivo de impulsionar as vendas é facilmente realizado, sobretudo, em um país como o Brasil, dado que, segundo a empresa Nielsen Holding, 12% da população usa emagrecedores, sendo a segunda maior consumidora da América Latina. Dessarte, de acordo com Friedrich Schiller, “não há homem que, se puder ganhar o máximo, se contente com o mínimo”. Por isso, percebe-se a fundamentação de um paradoxo, no qual o meio que se propõe a promover beleza e autoestima, é o mesmo que instiga e se aproveita da insatisfação corporal e dos transtornos alimentares.
Portanto, a fim de minorar os impactos dessa cultura nociva, o Governo Federal precisa empregar medidas que visem instruir a população e alertá-la para os perigos dessa indústria. Isto posto, com o Ministério da Saúde, deve criar, em todo o território, espaços, no qual ofertarão rodas de debate com profissionais e atendimentos orientacionais, além da disponibilização de um aplicativo, que conterá informações sobre saúde e meios e cuidados ao emagrecer. Assim, é possível melhorar a qualidade de vida integralmente.