O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Na mitologia grega, Narciso, através de um feitiço, se apaixona pela própria imagem ao ver seu rosto refletido em um lago. Nos dias de hoje, a padronização corporal é uma questão em destaque no Brasil, visto que, as pessoas buscam cada vez mais adequar-se em modelos pré-definidos pelo âmbito social, colocando em risco, muitas vezes, a própria saúde. Diante disso, é necessário tratar as raízes do problema para mitigar essa mazela.

Em primeiro lugar, é válido destacar que a mídia propaga na sociedade que o corpo perfeito é sinônimo de realização. Prova disso é a atriz Marilyn Monroe, que no século XX foi considerada símbolo de corpo ideal por possuir a estrutura física com curvas acentuadas. Nesse sentido, as pessoas buscam a todo custo inserir-se nesse padrão e procuram métodos inadequados para atingir tal fim, como, por exemplo, deixar de se alimentar e praticar exercícios físicos excessivamente. Tal realidade ratifica o que dizia o sociólogo Émile Durkheim, que a sociedade define o indivíduo por meio da coerção social.

Ademais, é importante considerar os problemas causados pela incessante busca pela ‘‘perfeição’’. Acerca dessa lógica, segundo o jornal Carta Capital, o Brasil é o segundo país com o maior número de cirurgias plásticas e dentre elas quase 80% são para fins estéticos. Sob esse viés, esses procedimentos, algumas vezes, são realizados por médicos não especializados, gerando, assim, complicações que podem causar a morte de pacientes. Esse cenário, demonstra a relevância da interferência de políticas públicas para mudar essa realidade.

Entende-se, portanto, que a padronização corporal decorre da influência midiática atrelada a propagação de estereótipos na sociedade. Sendo assim, faz-se necessário que o Ministério Público Federal, por meio de órgãos reguladores, fiscalize os meios de comunicação a fim de desassociar a estrutura física ao símbolo de perfeição e romper com a influência negativa de tais meios. Além disso, o Ministério da Saúde deve, por meio de propagandas televisivas, divulgar e conscientizar a população sobre os riscos presentes nos procedimentos estéticos e torná-las cientes da individualidade, no intuito de dizimar o perigo presente e torná-las menos dependentes desse clichê. Somente assim, o desejo exacerbado pela posse de beleza será presente apenas no mito.