O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 16/10/2019

O corpo, as regras e a desumanização

Desde meados dos anos de 1980, com a entrada das revistas “Boa Forma” e “Corpo a Corpo”, passou a ser difundido, no Brasil, um padrão estético feminino e masculino. Décadas depois, o advento  intenso do capitalismo e, por conseguinte, da globalização, contribuiu para o surgimento das redes sociais de culto a estilos de vida, conceitos de beleza, propagandas de cosméticos, alimentação e vestuário. Nessa perspectiva, atualmente, milhões de pessoas consomem esses produtos, frutos da indústria cultural,na tentativa de alcançarem os conceitos de perfeição impostos.É necessário, portanto,um debate entre o setor de beleza e a sociedade,a fim de que os erros existentes sejam sanados.

Sob esse viés, convém ressaltar como causa da ditadura da beleza o fato de o Brasil ser o país da América Latina com maior litoral, onde se encontra boa parte da população, que expõe seu corpo frequentemente nas praias. Essa conjuntura corrobora para que as empresas aproveitem de recursos artificiais midiáticos, como “Photoshop”- programa de edição de fotos - com o objetivo de propagandearem modelos de beleza e venderem seus produtos. Tal circunstância culminou para, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, cerca de 90 mil plásticas em adolescentes no ano de 2018, visto que esse público, devido às mudanças físicas e psicológicas da fase, é facilmente manipulado a acreditar na existência de um modelo de corpo perfeito.

Convém ressaltar, também, a contribuição do cinema de Hollywood e das semanas de moda em diversos países pelo mundo com a imposição dos conceitos de belo, à medida que apresentam ao planeta, sobretudo ao grande número de espectadores brasileiros,modelos de pessoas aceitas visualmente pela sociedade e entendidas como “bonitas”.Essa situação conduz a população, muitas vezes, à depressão, distúrbios alimentares e perda de autenticidade - esta, segundo Audrey Hepburn, seria o início da beleza- visto que há a tentativa de se encaixar nos padrões imperados.

Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre o setor estético e a sociedade na resolução dos erros existentes. Cabe, portanto, à mídia a criação de campanhas publicitárias de desconstrução de valores de perfeição, através das redes sociais e de cartazes em transportes públicos, com a finalidade de promover a aceitação pessoal e a humanização dos brasileiros; e a estes,a promoção de passeatas para revindicarem , por meio da democracia, a criação de leis que limitem a manipulação do consumidor pelo marketing nacional e internacional.Assim, o Brasil será um país livre de limitações e de  imposições culturais.