O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 26/10/2019

O filme “Dumplin”, produzido pela Netflix, retrata a vida de Willowdean, uma jovem acima do peso que decide participar de um concurso de beleza. Assim, ao anunciar para a mãe seu propósito, a jovem passa a ser desmotivada por ela, pois afirma que a filha encontra-se fora dos padrões exigidos. Fora das telas, é fato que a realidade apresentada pode ser relacionada ao cenário brasileiro atual, no que tange o culto à padronização corporal. Nesse sentido, a influência midiática e a necessidade de aceitação social emergem como empecilhos para tal problemática.

Em princípio, cabe analisar o papel persuasivo da mídia em moldar o ideário de beleza. Acerca disso, o filósofo Michel Foucault defende a existência da disciplinarização dos corpos, decorrente do mundo capitalista, a qual se evidencia por meio de normas preestabelecidas. Dessa forma, através da venda de método compensatórios, como diuréticos e inibidores de apetite, as campanhas publicitárias ganham ênfase ao promover a alteração da imagem corporal. Logo, cria-se um cenário desequilibrado como resultado da obsessão pelo “corpo perfeito”.

Somado a isso, outro fator a se destacar é a necessidade de se inserir aos padrões corporais pressionados socialmente. Segundo dados da Revista Pazes, 67% das mulheres não estão satisfeitas com seus corpos. Isso se evidencia na busca pela exaltação nas redes sociais, em que o corpo é visto como objeto para a promoção social. Nesse contexto, atividades físicas intensas e transtornos alimentares ilustram os efeitos dessa obsessão pela beleza ideal, ressaltando a urgência de medidas que modifiquem esse impasse.

Portanto, cabe às escolas em parceria com o Ministério da Saúde promover a valorização da singularidade de cada indivíduo, por meio de palestras, com o fito de diminuir a influência de padrões corporais. Isso deverá ocorrer com o acompanhamento de psicólogos e educadores físicos que debatam acerca da necessidade do cuidado com a saúde desassociado de padrões estéticos. Desse modo, será possível combater o culto à padronização corporal, de tal maneira que casos como o de Willowdean não se repitam