O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 16/01/2020
Mariana Silva, psicologa clínica do comportamento, afirma que algumas pessoas desenvolvem transtornos alimentares danosos à saúde objetivando a obtenção de um formato físico específico. Essas compulsividades alimentares são sintomas de um problema muito recorrente no Brasil: o culto à padronização corporal. Neste sentido, dois aspectos fazem-se recorrentes: o uso excessivo de recursos ergogênicos e a gordofobia.
Paulo Muzy, doutor em medicina e especializado na área hormonal, afirma, em diversos vídeos publicados em redes sociais, que vários humanos recorrem ao uso de esteroides a fim de obterem a estética desejada. Ainda conforme o médico, o excesso dessas substâncias causa prejuízo à saúde, podendo gerar câncer bem como deficiência cardiovascular, hepática e renal. Por meio das falas de Muzy, percebe-se que muitos praticantes de musculação estão dispostos a realizarem a troca da saúde pelo porte físico tão desejado.
Contendo diversas piadas gordofóbicas, o “Livro dos Insultos” é um livro altamente vendido no Brasil que foi escrito pelo humorista Léo Lins. A publicação em massa dessa obra reflete em como uma parte da sociedade brasileira trata aqueles que possuem abundancia de tecido adiposo. Devido aos diversos insultos destinados as pessoas com excesso de gordura, a integridade moral dessa minoria é ferida, resultando no imenso desejo de mudança física.
Tendo em vista tudo o que foi-se citado, fazem-se necessárias algumas medidas no intuito de minimizar a padronização do corpo. Cabe ao Poder Legislativo realizar a criação de leis, por meio de emendas constitucionais, que visam a punição jurídica e penal dos praticantes de injúrias contra pessoas fora da estética cultuada como “perfeita”. Deste modo, ocorreria um efeito inversamente proporcional entre duas grandezas: à medida que o número de piadas relacionadas escárnio do corpo diminuíssem, a quantidade de indivíduos com um maior bem estar corporal aumentará. Além disso, é de função do Ministério da Saúde realizar campanhas, por meio da mídia, que visam mostrar o lado negativo dos transtornos alimentares e do uso de esteroides. Assim, uma parte da população irá se conscientizar prejuízos acerca da “culto à perfeição do físico” e evitará a utilização de métodos extremos para mudança dos índices de massa magra e gorda individual.