O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/02/2020
A escultura “Vênus de Willendorf”, obra produzida na Pré-história, representa o padrão de mulher idealizado na sociedade primitiva. Hodiernamente, nota-se que, apesar das transformações inerentes às gerações, ainda se perpetua o conceito do corpo perfeito, ideia disseminada pela indústria do consumo e que pode acarretar transtornos psicológicos para os jovens. Assim, cabe a análise dessa problemática para, então, propor soluções para dirimi-la.
Em primeiro plano, deve-se destacar o sistema consumista atual como ditador de um modelo estético a ser seguido. Consoante os filósofos da Escola de Frankfurt, a indústria cultural tem como intuito propagar ideologias massificantes, desconsiderando o pensamento crítico individual. Nesse viés, para vender seus produtos, utilizam-se dos meios midiáticos - principais formadores de opiniões - para expor padrões corporais que se distanciam da realidade do público.
Por conseguinte, é notável que, em função dessa imposição estética, cresce o índice de jovens com transtornos compulsivos. Isso pode ser observado em pesquisa realizada pelo portal G1, em que 1 a cada 5 adolescentes do país desenvolve problemas psicológicos ligados a alimentação. Sob essa ótica, verifica-se que transtornos alimentares, especialmente anorexia e bulimia, são instigados devido a preocupação do indivíduo em obter o padrão definido pela sociedade moderna.
Diante dos fatos supracitados, é mister que previdências sejam tomadas acerca do óbice. Convém então, ao Ministério da Educação, a criação de projetos em instituições de ensino, que, através de palestras direcionadas para crianças e adolescentes, exponha-se os perigos da alienação acerca de um padrão corporal, objetivando a conscientização da comunidade em relação ao tema. Somente assim, será instituído o pensamento crítico na sociedade, abolindo, assim, o estigma de um modelo idealizado tal como foi visto na “Vênus de Willendorf”.