O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/02/2020

Regina George, personagem de um filme adolescente com grande sucesso chamado Meninas Malvadas, retrata o quanto o padrão físico é difícil de ser alcançado. Isso fica claro quando, em inúmeras cenas, ela olha, antes de comer, quantas calorias tem cada alimento. Realidades como a dela são notórias, o que faz com que garotas se identifiquem e, talvez, por isso o longa-metragem é tão popular. Pode ser alegado, contudo, que essa não passa de uma preocupação com a saúde. Entretanto, há uma diferença entre isso e fissuração com o corpo perfeito e, ao serem confundidos, podem causar sérios danos físicos e, principalmente, mentais à pessoa.

Primeiramente, disfarçados por meio de produtos saudáveis caros, a indústria da beleza cresce consideravelmente. Os brasileiros, como toda a população mundial, é uma sociedade do consumo, como dito por Baudrillard, pois o lucro é mais importante que o bem estar social. Isso fica claro quando celebridades com Kim Kardashian e suas irmãs têm ganhado relevância por estarem dentro dos padrões impostos pela sociedade. Por conseguinte, como relatado em vários episódios do “reality show” da família, junto à fama vem a insegurança e a autocobrança para estar sempre dentro dos moldes. Pois, como dito pela cantora Beyoncé em uma de suas música “a beleza machuca”, não só fisicamente como psicologicamente. Desse modo, meninas do mundo inteiro acompanham essas figuras públicas e são influenciadas, negativamente, por esse apego à imagem, tendo as mesmas consequências.

Ademais, a parafrasear Zybia Gaspareto, assim como os excessos fazem mal, a falta também faz. Incontáveis dietas extremamente restritivas vêm surgindo. E, como os usuários têm acreditado em tudo que é mostrado na internet, o ato de alguém dizer que comer uma vez por dia faz bem à saúde, já convence centenas de pessoas a colocarem isso em suas rotinas. Não obstante, é recomendado pelos médicos que as pessoas se alimentem de três em três horas, o que muitas vezes não é levado em consideração. Assim, ao verem essas afirmações online, pessoas que já sofrem com doenças como anorexia e bulimia ganham justificativas para continuar suas ações contra elas mesmas.

Destarte, o Ministério da Saúde junto aos influenciadores digitais, devem alertar o público, por meio de postagens chamativas e vídeos, que o cuidado exorbitante com a estrutura física pode trazer riscos à saúde. Para isso, ensaios fotográficos, sem “photoshop”, do corpo dos famosos para mostrar que ninguém é perfeito como é exibido nas redes sociais são necessários. Dessa forma, práticas como as da Regina George e Kim Kardashian serão evitadas.