O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 01/03/2020

No experimento científico-social “Universo 25”, o cientista John B. Calhoun observou o desenvolvimento dos ratos como sociedade durante 3 meses, construindo um local perfeito para eles. Por volta do dia 37 da análise, observa-se um padrão referente aos ratos que mais se relacionavam sexualmente: a ausência de cicatrizes e falhas nos pelos do corpo. Analogamente à utopia dos ratos, hodiernamente na sociedade brasileira, observa-se a tendência à adoção de modelos de beleza, a qual compete à esfera digital e, importunamente, incita a necessidade de equiparação nas pessoas.

Cabe ressaltar, em primeiro plano, que, após a Revolução Digital de 1970, o mundo tornou-se globalizado por meio das redes sociais, que são um caminho para o compartilhamento de fotos, corpos e rostos que corroboram um paradigma, que não é necessariamente absoluto, de aparência na sociedade. Evidência disso, ainda no meio cibernético, é a página “Instagram vs, Realidade”, no “Twitter”, a qual expõe, lado a lado, a disparidade frequentemente constada entre o real e as fotos consideradas arquétipos. Ou seja, apesar de ser um exemplo que satiriza os padrões de beleza na internet, ele evidencia que, tristemente, concerne ao digital a existência do culto à modelos visuais, o que urge atitude da sociedade perante ao uso das redes sociais no país.

Por conseguinte, enquanto esta conjuntura perdurar, o culto aos paradigmas de aparência promove a necessidade de equiparação na maioria dos usuários. Isto é, devido à adoção de padrões de beleza, as pessoas tendem a se igualar às outras visualmente, na tentativa de se juntarem a modelos sociais. Contudo, assim como mostrado por Steve Cutts, na curta-metragem “Felicidade”, por meio da alegoria contemporânea dos ratos, o encaixe em arquétipos nem sempre é benéfico aos indivíduos, potencializando, infelizmente, problemas como ansiedade, depressão e insegurança. Nesse sentido, torna-se imperioso a dissolução desta tempestiva problemática.

Infere-se, portanto, que compete à sociedade o dever de, por meio das redes sociais, criar e divulgar campanhas que evidenciem a complexidade do culto a padrões de beleza, estimulando as pessoas a se afastarem dos paradigmas de aparência cibernéticos, a fim de atenuar a influência das redes sociais no que concerne ao visual dos indivíduos. Visando objetivo semelhante, o Governo, destarte, pode promover políticas públicas que censurem propagandas que estimulem, descaradamente, paradigmas de aparência, desse modo, observar-se-ia uma população livre da analogia ao “Universo 25” de John B. Calhoun.