O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 13/03/2020

O filósofo Nietzsche trouxe a definição de niilismo como libertação para a autonomia e autolegislação sem a tutela religiosa, moral, cultural ou familiar. O Super Homem, para o filósofo alemão, é o indivíduo superior psicologicamente, que segue o niilismo e vive a partir de suas próprias regras. Entretanto, quando se observa o culto à aparência no Brasil, percebe-se que a visão do pensador vai de encontro à essa realidade. Nesse sentido, é preciso entender as verdadeiras causas do problema para solucioná-lo.

É preciso considerar, antes de tudo, que a busca por um corpo tido como ideal não é algo novo. Sob essa ótica, no Brasil do ano de 1950, Vinícius de Moraes, em sua música “Receita de Mulher” mostrou como o culto à beleza é intrínseco à sociedade ao escrever: “as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Tal conjuntura é ainda intensificada pela mídia e veículos de informação que estão, em sua maioria, constantemente incentivando o público a realizar procedimentos estéticos, dietas irresponsáveis e a se encaixar dentro de um padrão corporal imposto. Dentro dessa lógica, nota-se que a dificuldade de combater o problema mostra-se fruto de heranças impostas desde cedo.

Outrossim, vale ressaltar que um dos desdobramentos dessa mazela são as psicopatologias. O filme “Preciosa” narra a história de uma garota que sofre diariamente violências físicas e psicológicas por não possuir corpo e beleza vistos como admiráveis, isso desencadeia consequências internas e externas na jovem que a faz buscar mudanças que podem afetar a própria saúde. Apesar de se tratar de uma ficção, o drama mostra uma realidade que também é vivida mundo afora, pois as pessoas que não conseguem se encaixar nesse modelo podem desenvolver transtornos alimentares, como bulimia e anorexia, e também psicológicos, como ansiedade, depressão e até mesmo suicídio. Dessa forma, atitudes desesperadas e prejudiciais são adotadas por mulheres e homens como uma saída para serem aceitos no corpo social.

Torna-se evidente, portanto, que os caminhos para a luta contra o culto à aparência apresentam entraves que devem ser revertidos. Logo, é necessário que a mídia dê mais visibilidade em programas televisivos e campanhas para pessoas que contrapõem os padrões estéticos, disseminando um ideal de inclusão para evitar o oposto e melhorar a autoestima das pessoas que se sentem inferiores. Ademais, o Ministério da Saúde deve disponibilizar psicólogos nas escolas e faculdades, para realizarem consultas e terapias a fim de ajudarem os estudantes a passarem por problemas como esse, consolidando a saúde emocional. Dessa maneira, será possível que o país caminhe ao encontro da teoria da Nietzsche.