O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/04/2020
No livro “A República”, escrito pelo filósofo grego Platão, é retratada uma concepção de sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Sendo assim, é notório se observar na realidade contemporânea o que ele prega, uma vez que o culto à padronização do corpo no Brasil apresenta essas evidencias, as quais contribuem para a concretização da comunidade ideal de Platão. Esse cenário adverso é resultado tanto da busca pelo corpo perfeito, quanto da influência corporal das celebridades no meio social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a procura exagerada do corpo ideal. Nessa perspectiva, a frustação por não conseguir alcançar o resultado desejado acarretar em doenças como a vigorexia, onde o indivíduo procura de maneira intensa a busca por sua idealização ultrapassando o limite saudável. Sendo assim, indo além de problemas corporais e ocasionando doenças psicológicas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura comportamental de idealizar um biótipo e as suas características.
Ademais, é imperativo ressaltar a influência das celebridades como promotora do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Partindo desse pressuposto, celebridades de grandes renomes estão se comportando de maneira artificial. Dessa forma, seus admiradores tende a seguir esses estereótipos propagados em sites e redes sociais. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a celebridade contribui como agente dessa idealização corporal para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade, causadora de inúmeras doenças corporais e psicológicas. Descarte, com o intuito de mitigar a padronização corporal, necessita-se, urgentemente, se direcione capital para palestras em escolas e em redes sociais que, por intermédio conscientize a população dos diversos padrões de beleza e etnias. Através das redes sociais as celebridades causadoras também podem influenciar positivamente a autoaceitação de seus seguidores. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da padronização do corpo.