O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 17/04/2020

Sabe-se que, conforme articulado por John Stuart Mill: “Sobre o seu corpo e mente, o indivíduo é soberano.” Todavia, nota-se que a contemporaneidade contradiz análoga ideologia, visto que cada vez mais indivíduos buscam por um estereótipo magro e sublime devido à coercitividade imposta pela sociedade, o que de fato pode despertar vastas questões psicológicas aos cidadãos.             Primordialmente, é autêntico que, de acordo com as convicções proferidas por Émile Durkheim, o corpo social propaga uma inexorável coercitividade aos seus indivíduos, aspirando-a de maneira corriqueira, a fim de que os seres humanos sejam aceitos socialmente. Expõe-se, como exemplo de uma de tais coesões, a obtenção de uma estrutura corpórea magra, fazendo com que os cidadãos os quais não a possuem, sejam excluídos e desamados pela coletividade apenas por não adequarem-se aos padrões estéticos disseminados como perfeitos aos olhos hodiernos.

Diante do exposto, em consequência de semelhante coesão almejada de modo assíduo pela sociedade, é irrefutável que as pessoas as quais não encontram-se dentro dos parâmetros societários de corpo franzino procuram incansavelmente por utensílios milagrosos, com o intuito de emagrecer rapidamente em pouco tempo, aumentando, portando, exponencialmente a compra e o consumo de remédios emagrecedores, produtos termogênicos, cintas modeladoras altamente desconfortáveis e a adesão à dietas inegavelmente restritas. Sob esse prisma, torna-se incontroverso que, ao submeter-se a consoantes sacrifícios, similares indivíduos correm o risco de desenvolver problemáticas em sua saúde. Ademais, ao não alcançar a meta desejada, impasses psicológicos podem ser desencadeados, como, a ansiedade e a depressão, agravando-se até para um caso exacerbado de suicídio.

Em suma, é indubitável que a era contemporânea vive em meio à ditadura da beleza, em razão da forte coesão imposta pela sociedade para com os seres humanos. Logo, para desatar tamanha questão, é dever do Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde, colocar um fim à busca por um corpo perfeito a partir da infância dos indivíduos, por meio de palestras ministradas por psicólogos e educadores disponíveis em todas as instituições acadêmicas da nação e destinadas aos alunos independente de sua faixa etária, com a finalidade de que os cidadãos em sua totalidade desenvolvam a autocompaixão. Dessa forma, os seres humanos não serão mais obrigados a engolir medicamentos alimentadores do ego segregacionista social e tampouco apertar-se em uma cinta para caber na sociedade, uma vez que eles já são parte dela.