O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 18/06/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos direitos básicos, tais como: liberdade de expressão, igualdade e bem-estar social. Entretanto, o país se afasta dessa realidade ao se analisar o culto à padronização corporal no Brasil, no qual há as pressões sociais, em consonância com a diminuição da diversidade cultural, como os pilares desse conflito. Nesse sentido, subterfúgios devem ser encontrados para a resolução desse impasse sociocultural.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que as pressões que o indivíduo sofre para se encaixar em um modelo social são as principais potencializadoras desse problema. Nesse espectro, o site O Globo divulgou uma pesquisa realizada pelos alunos da Universidade Federal de Fluminense, na qual informa que cerca de 72% da população carioca relata as mesmas características para um corpo ser perfeito. Sob essa análise, denota-se que, com a difusão de modelos na sociedade, o indivíduo tende a tentar copiar esses padrões, de modo a construir uma sociedade permeada pela progressão de uma ideia compostas por preconceitos.

Paralelamente a esse cenário, caracterizado por pressões sociais, surge a aculturação na sociedade como consequência direta desse alarmante panorama. Nessa linha de pensamento, o sociólogo Émile Durkheim, em sua análise da sociedade pós Revolução Industrial, menciona que os principais desafios da sociedade contemporânea seriam relacionados ao mantimento de diferentes costumes no mundo, o que resultaria em uma maior homogenização da população. Dessa forma, com as pressões em se encaixar em padrões, o indivíduo não se identificam como pertencente de sua etnia, de modo a negligenciar  os costumes e tradições da sua cultura para alcançar o modelo social.

Fica evidente, portanto, a relevância em debater sobre a padronização da população do país. Nesse viés, a mídia brasileira - principal responsável pela formação das ideias na sociedade - deve, por meio da televisão e das redes sociais, como o Instagram e Facebook, divulgar diferentes realidades, belezas e costumes existentes nos diferentes locais do Brasil. Tal medida deverá focar, principalmente, na difusão da importância da diversidade cultural do país, de modo a mitigar as pressões sociais para se encaixar em modelos específicos, uma vez que todas as características formam diferentes padrões, respeitando a liberdade de expressão da população. Somente assim, com essas medidas, a sociedade poderá gozar dos direitos promulgados em 1948.