O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 24/04/2020
Na Lenda da Caverna, o filósofo Platão explica a existência do mundo inteligível (saber verdadeiro) e o mundo dos sentidos (saber ilusório). Mesmo no mundo contemporâneo cercado por tecnologia, o ser humano ainda “vive” na caverna platônica, uma vez que dá mais importância à aparência (mundo dos sentidos) do que à essência (mundo inteligível). Hodiernamente, é correto afirmar que a busca pelo “corpo perfeito” dá-se, principalmente, devido ao preconceito social e ao enriquecimento dos setores industriais ligados à estética. Por conseguinte, são necessárias medidas para reverter esse problema.
Em primeira análise, a citação de Albert Einstein “Triste época, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito” revela a inflexibilidade humana de aceitar as diferenças físicas. Além disso, a dançarina Thaís Carla é uma influenciadora digital que dá dicas de autoaceitação, mas que sempre é alvo de críticas por estar acima do peso. Isso se dá por causa do estereótipo social da existência do “corpo perfeito”, que a comunidade taxa como correta e discrimina aquele que não se encaixa nos “padrões”. Logo, a intolerância social leva as pessoas inseguras a ações para “reajustar” suas aparências.
Outrossim, em 2019, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica divulgou que procedimentos estéticos aumentaram 390% e que o Brasil ocupa sétimo lugar no ranking de países que mais fazem mudanças plásticas. Para mais, em 2018, “Doutor Bumbum” foi preso após matar uma cliente durante um procedimento de preenchimento nos glúteos. Segundo investigações da polícia civil carioca, o falso médico atendia no próprio apartamento e realizava até cirurgias no mesmo local. Por consequência, a ambição capitalista industrial instiga a necessidade de mudanças físicas como forma de alcançar a beleza e pode acarretar barbáries como a morte.
Desse modo, ao considerar os aspectos mencionados, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. As escolas, além do bom ensino, devem educar seus alunos para a cidadania, por meio de palestras e grupos de integração social, para que sejam mais tolerantes e aceitem a diversidade humana. Ademais, órgãos públicos devem, por intermédio de divulgações impressas e digitais, conscientizar a população dos riscos das cirurgias estéticas e o objetivo empresarial ao estimular essas ações, a fim de que tenham ciência da gravidade a qual estão expostos. A partir dessas atitudes, o culto à padronização corporal no Brasil será reduzido.