O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 27/04/2020

A série norte-americana “insatiable”, conta a história de Patty Bladell, uma adolescente que recentemente alcançou o tão almejado “corpo perfeito”. A ficção exterioriza diversas problemáticas atuais, a principal delas é a supervalorização do padrão corporal magro. Fora das telas, a realidade não difere-se da apresentada pela série, na sociedade atual o culto à padronização corporal é muito presente. Isso decorre, da construção histórica de estereótipos de beleza, e do crescente consumo cultural de padrões estéticos.

É relevante abordar, primeiramente, que o culto ao corpo padrão não é atual, esse, já era notório na Grécia antiga. Naquela época, o corpo belo, que era o atlético e saudável, já era supervalorizado, fato perceptível nas primeiras olimpíadas, nas quais esse padrão corporal foi muito  aclamado. Apesar de milhares de anos terem se passado, ainda hoje o modelo de corpo grego se mantém supervalorizado, e no Brasil apresenta grande influência. Dessa maneira, essa idealização de “corpo perfeito”, principalmente o feminino, no contexto brasileiro também perpassa o tempo, exemplo disso, é a musica “Garota de Ipanema” de Tom Jobim, que apesar de ter sido lançada anos atrás, ainda é muito utilizada para descrever a mulher brasileira ideal, ou seja, sua versão estereotipada.

Ademais vale ressaltar que além de ser construída historicamente, a veneração ao corpo padrão, também, tem origem no consumo cultural da sociedade contemporânea. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a linguagem (representação) corporal é marcada pela busca da distinção social. A partir disso, é válido compreender que o consumo alimentar, cultura e forma de apresentação pessoal, são classificados como recursos importantes para se distinguir dos demais. Dessa forma, é notória a influência do consumo cultural na busca pelo corpo ideal, pois ele deveria agregar um fator de diferenciação entre os indivíduos de uma sociedade. Tal busca não se afasta da realidade diversos cidadãos brasileiros, que querem atingir esse padrão.

Sendo assim, é evidente que o Estado deve tomar providências para amenizar essa questão. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que alertem sobre a supervalorização do padrão corporal, demonstrando fatos históricos que contribuíram para a construção dos padrões. Além disso, alertem a população sobre o consumo cultural excessivo de padrões estéticos, somente assim, haverá uma desconstrução do padrão corporal,o consumo dessa cultura será diminuído e a problemática apresentada por “Insatiable” será solucionada.