O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 02/05/2020
Na Grécia Antiga, no período da arte clássica, foi muito difundido o cânone: ideal de perfeição do corpo humano da época, representado nas esculturas. Nesse contexto, analisa-se que mesmo com a atualização das sociedades o estabelecimento de um estereótipo ainda é uma realidade. Dessa maneira, há uma busca desenfreada para alcançar padrões estéticos, motivados por um sistema opressor, o que desencadeia vários problemas físicos e psicoemocionais.
De acordo com Gilles Lipovetsky, filósofo francês, o ser humano é um grande hiperconsumista, e o que mais hiperconsome são pessoas. Sob tal ótica, percebe-se que o consumismo vigente tem transformado os indivíduos em “marionetes obcecadas”. Desse modo, a mídia exerce a função de criar e propagar um padrão de beleza que passivamente é aceito por boa parte da população. Paralelamente, esse é o objetivo da indústria cultural para os pensadores de Frankfurt: massificar o público, para conduzi-lo a compra de produtos, a exemplo dos cosméticos. Diante disso, a ditadura da estética se configura um empecilho que aprisiona os sujeitos a buscarem ideais inalcançáveis.
Por conseguinte, a espécia humana tem enfrentado cada vez mais doenças psicológicas. Augusto Cury, psiquiatra e escritor brasileiro, em seu livro gestão da emoção, retrata que a maior dificuldade das pessoas é serem autônomas e controlarem a sua psique. Isso demonstra o porquê da recorrência de transtornos alimentares, como a bulimia e a anorexia. Destarte, é revelado que os padrões impostos socialmente influenciam a formação da autoimagem e geram danos intensos na saúde.
Isaac Newton, um dos mais importantes físicos da história, postulou em sua primeira lei, que um corpo tende a se manter no estado de inércia até que uma força atue sobre ele. Portanto, devem ocorrer ações para mudar essa realidade no Brasil. É necessário que o Ministério da Saúde em parceria com o da Educação, discuta acerca da existência dos padrões estéticos e os prejuízos que eles causam. Isso pode ser feito por meio de palestras nas escolas, ensinando os cidadãos construírem uma noção que valorize a individualidade, para que não sejam conduzidos a buscar um estereótipo inalcançável. Assim, o “cânone” ficará somente na história da arte e deixará de aprisionar os indivíduos.