O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 10/05/2020

Na canção Pretty Hurts, a cantora Beyoncé retrata o quão doloroso é a luta em busca da beleza, podendo suscitar problemas físicos e psicológicos à longo prazo. Infelizmente, tal realidade não se limita apenas a composição artística. Dessa forma, os padrões de beleza que se alteram ao longo do tempo, bem como o bombardeamento midiático, são gatilhos que impulsionam na sociedade, especialmente nas mulheres, a necessidade desenfreada de alcançá-los.

Deve- se pontuar, antes de tudo, as mudanças dos padrões de beleza ao longo dos anos. Aonde o corpo mais volumoso era sinônimo de riqueza e fartura, perdendo lugar para o corpo magro, denotando beleza e saúde, até a era de corpos fitness esculpidos em academia. De acordo com o filósofo Foucalt, nossos corpos são moldados e dominados para servir ao sistema em que vivemos. Isto posto, é notório que junto a valorização exacerbada do que é considerado belo, há também o desejo de torna-se igual aos modelos de determinada época.

Cabe analisar, também, que os indivíduos mutilam sua autoestima- e, por muitas vezes seus corpos, em busca da aceitação. Na obra “Ditadura da Beleza” de Augusto Cury, o autor descreve o cotidiano de mulheres que influenciadas pela mídia buscam corresponder aos inalcançáveis padrões de belezas expostos diariamente como único aceito. Sob essa ótica, casos como o da modelo Andressa Urach, internada com uma infecção na coxa devido a aplicação excessiva de hidrogel, expõe a que ponto vai a tortura com o próprio corpo para alcançar o físico ideal.

Depreende-se, portanto que perfeição física, sobretudo feminina é incitada diariamente em decorrência da falta de representatividade. Destarte, urge que a mídia, como engajadora das massas, por meio da diversificação do seu elenco, a inclusão dos diversos tipos de beleza em novelas e comerciais, com o intuito de desmitificar a necessidade da padronização e supervalorização de uma forma corporal. Somente assim, a beleza será vista como algo natural e apreciado e não um doloroso fardo.