O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/06/2020
O filme “O mínimo para viver” retrata a história de uma garota que sofre de anorexia e é obcecada por contar as calorias ingeridas por ela em cada alimento. No entanto, situações como essa estão refletidas na sociedade atual, na qual distúrbios alimentares são cada vez mais comuns na vida de pessoas que buscam encaixar-se em padrões corporais impostos pela sociedade. É necessário, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar os fatores históricos que motivam essa atitude e a influência da mídia, bem como as consequências vigentes entre os cidadãos brasileiros.
Em primeiro lugar, é válido destacar que as mulheres são os principais alvos de padronização corporal, visto que a sociedade atual é traçada por uma criação machista. Além disso, desde a infância, meninas são elogiadas, de modo a ressaltar apenas sua beleza, ao invés de valores, como educação e talento, logo, cresçem buscando perfeição nesse âmbito. Ademais, na atualidade, vê-se na mídia uma forma de disseminar padrões e vender produtos para alcança-los. Assim, as influenciadoras digitais, por exemplo, induzem seus seguidores a comprar cintas modeladoras e chás que prometem emagrecer, para conseguir um corpo igual ao delas. Dessa forma, o público adolescente e o jovem, que são considerados os principais alvos, sofrem e muitas meninas tornam-se mulheres precocemente.
Em segundo lugar, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), nos últimos 10 anos, houve um aumento de 141% nos procedimentos em jovens. Dessa maneira, pode-se observar de forma recorrente a imposição de padrões nesse público, que busca transformações para ser aceito e bem visto socialmente. Outrossim, sabe-se que as minorias sofrem constantemente com a exclusão social, de modo a interferir na admissão de um emprego, e sofrerem constantemente com ansiedade, depressão e distúrbios alimentares. Destarte, vale lembrar do caso ocorrido na Irlanda, em 2016, em que uma menina de 11 anos cometeu suicídio por estar infeliz com seu corpo.
Diante dos fatos supracitados, conclui-se que medidas devem ser tomadas para que estereótipos determinados socialmente deixem de ser almejados socialmente.Logo, urge que a família, por meio da educação desde a infância, não ensine as crianças com base no ideal de padrões, de modo a ressaltar outras qualidades neles e incentivar que essas atitudes sejam refletidas com os colegas e círculo de convívio, para que não cresçam vinculados às barreiras de padronização. Somando a isso, o governo juntamente a Mídia, deve veicular propagandas em redes sociais e na televisão, que tragam dados acerca da consequências ocasionadas pela exaltação de determinados corpos, principalmente no público jovem, a exemplo de transtornos alimentares, para manter a sociedade alerta e informada, bem como promover a diversidade corporal e atenuar a exclusão social.