O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 28/05/2020

O conceito de “indústria cultural” -idealizado por estudiosos da Escola de Frankfurt- remete a uma progressiva homogeneização de visões de mundo, devido à mercantilização de valores e costumes na contemporaneidade. Por consequência, o imaginário coletivo de um corpo ideal tem levado as pessoas a falsas percepções da realidade na sociedade hodierna. Com efeito, o culto à padronização corporal no Brasil gera impactos negativos, no âmbito da ética e da saúde, o que torna mister analisá-los, bem como expor e viabilizar medidas para mitigá-los.

Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a construção de um corpo ideal promove uma falsa necessidade social de constantes adequações a tipos físicos. Tal idealismo, norteado pelo senso comum, se relaciona com a teoria dos “Ídolos”, escrita pelo filósofo Francis Bacon, que afirma que as errôneas percepções humanas atrapalham a compreensão da realidade. Nesse sentido, as crescentes exigências aos estereótipos de beleza estão associadas a uma identidade sociocultural de forte culto à padronização estética, de modo a contrariar os preceitos éticos de respeito à diversidade.

Outrossim, é válido averiguar que o apelo social à padronização corporal no Brasil tem aumentado a probabilidade da população desenvolver problemas de saúde. Isso pode ser comprovado por uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde, a qual revela que 77% das jovens em São Paulo apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia, bulimia e compulsão por comida. Logo, é substancial que mudanças comportamentais e culturais sejam promovidas no âmbito da sociedade, a fim de reverter essa problemática.

Em síntese, a observação crítica dos fatos sociais reflete a urgência de medidas socioeducativas para aplacar o panorama vigente. Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), mediante verbas públicas, promover aulas e palestras informativas nas escolas, ministradas por profissionais da saúde e da educação, que abordem a autoaceitação corporal e uma desconstrução de paradigmas, com o objetivo de combater as falsas percepções sociais sobre o corpo humano. Ademais, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com as grandes mídias, deve investir em campanhas de conscientização quanto aos problemas de saúde gerados pela excessiva padronização estética, a fim de alertar e informar a população quanto a esses transtornos. Assim, será possível recuperar os valores éticos de respeito à pluralidade, bem como priorizar o bem-estar coletivo.